adolescência
ela anda com um semblante centenário – só que é só no peso, sem sabedoria.
ela é carne e unha com uma tristeza diferente, adulta – monstruosa com ela. essa é a água que alimenta pelo avesso sua verdade de menina, sua idéia de mulher. essa é a mágoa com a qual ela faz lágrimas pra usar quando quiser.
…afinal, o que ela quiser lhe é dado de bandeja: com especiaria e pompa, com bebida e sobremesa. e o que ela não pode, veja: ela se sacode e arruma. dá-se um jeito. assim, logo a gente enxerga: o que está além, o que ela não pode, está em falta bruta. basta um peteleco, basta a moça ter um treco e pronto - agora pode.
e no entanto, contrariando toda previsão mais rasa que se faça, ela é infeliz. ainda. tempo é curto, tempo é mixaria… a alegria, nele, poucas vezes cabe. poder, ela pode tudo, mas não recomenda. não agüenta na palma das mãos o peso que carrega às costas. custa muito, é cara sua incompreensão, das grossas. que é cinza. é da idade. a dor, não! – a dor, já disse: é mais velha.
esperar não é com ela! só quer ter, quer o maior. conseqüência, então – pior! ela ama o resultado – e o quer depressa. ela não segue, começa. ela é pressa e o resto não interessa.
Um instante agora pra que se esclareça: sua personalidade existe, sim! E é forte.
- frágil é sua auto-estima, flor de assoprar e sumir. - a silhueta, bem, digamos que a silhueta ela não ama, mas reclama pouco, e vai remediar para não ter que prevenir…
ela crê que nos engana.
Quanta luz ela traz e não vê, quão bonita ela é mas não faz, quanta cor ela tem mas não traz! Porque ela é: muito mais do que estamos vendo. o desejo a embaça, eis sua ameaça: ela come poeira da estrada corrida vencida perdida: a dela contra si mesma.
tocou fogo já em tantas fraquezas que causa estranheza esse temor de agora. ah, quem conhece, sabe: ela é fogo!!! é de pureza e fogo esse seu erro bobo de ir queimando etapas. ela queimou-as todas, de pouco em pouco – e enfim, ao notar que havia sido capaz, ficou assim. cada vez mais orgulhosa do salto, e cada vez maior dor a tomando de assalto! - uma falta, uma falta, uma falta ela sente, de um algo.
:é o que a alma transparece, é tudo que a gente sabe. E a alma é o quê? Só sei que a dela é magrela, é nervosa, e é bela - é flor de ninguém. aliás, é até alma-de-fome - que quanto mais come, mais fome ‘inda tem.

12 de janeiro de 2010 às 2:40
03:34 da manhã e eu resolvi passar aqui antes de dormir ! AHAHAHAHAHA ( a louca!)
E leio isso ainda por cima que caiu como uma luva , tava até agora no meu fotolog (muuuito do abandonado por sinal ) lendo e vendo fotos e comentários quando eu tinha 15 anos de idade e fazia mil planos pra tudo!… Ainda tenho porééém 4 anos já se passaram disso ,e tudo muda o tempo todo, enfim!…
=)
“ela é pressa e o resto não interessa. ”
AMEI ISSO BRUNA! Acho que vou tatuar isso nas costas é perfeito pra mim! AHAHAHAHA
Beijos!!!!
12 de janeiro de 2010 às 19:13
muito bom , existe um ar de tristeza mas é muito bom , é de sua autoria bruninha???
to triste por nao poder ir te ver tocar no sesc dia 30/01. Os imgressos ja se esgotaram ,mas eu nao desisto.
dizem que o poeta fala melhor quando fala de si . Sera que existe um pedacinho da dona bruna nesse texto??? rsrssrrs….
bjao bruninha!!!!
13 de janeiro de 2010 às 0:29
Fim de semana passado tive o privilégio de ser apresentada ao seu trabalho, confesso que fiquei altamente impressionada com suas canções e agora ainda mais com seus textos…
Desejo a ti mto sucesso e grandes inspirações em sua vida sempre e sempre!
Da sua mais nova fã: Gisele Macon
13 de janeiro de 2010 às 1:00
ah bruna, não consegui pegar um ingresso…
não vou te ver dia 30, mas espero um próximo ;]
Eu adoro vir aqui e ler seus textos e com esse último não foi diferente…
“[...] Porque ela é: muito mais do que estamos vendo [...]”
é gostoso se identificar com um texto, já dizia Quintana: Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente … e não a gente a ele!
Adoro isso!
beijos
14 de janeiro de 2010 às 20:55
Brunno adora Bruna!
15 de janeiro de 2010 às 9:49
“…frágil é sua auto-estima”, mas nem sempre aparente, e “ela crê que nos engana.” Personalidade em transição, evolução… sobre a qual nunca existirá comprensão. Apenas reflexos.
18 de janeiro de 2010 às 17:53
Nãoooo aguentooo e venho aqui de novo merrrmoo !
Bruna postaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa por favor…ahahahahaha ! por mim
25 de janeiro de 2010 às 8:03
Você, essa menina, feita de poesia e música
Comportada na adolescencia estampada num verso de criança
Você, composta de arte e desenhada como resenha, não se assanha e não se contenta
É prestigio e recebe aplausos
Versos de menina, pra mulher artista, não me chamo ‘fã’, prefiro
:admiradora
Por favor, não repare na poesia, sem rima.
De poetisa, para artista.