Arquivos de junho de 2010

Segredo!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Após uma longa e viciante maratona para assistir, num fôlego só, a minissérie Dalva e Herivelto, que passou há uns tempos e agora comprei em DVD, só posso dizer uma coisa: Ai meu Deus do céu, o que dizer???

Meu encantamento é tão grande que prefiro cantar. Salve Dalva de Oliveira, salvem as lindas músicas de Herivelto Martins, e como eu amo a música dos anos 50!!! Eis aqui uma das minhas favoritas, “Segredo”, de Herivelto com Marino Pinto.

“Seu mal é comentar o passado

Ninguém precisa saber o que houve entre nós dois

O peixe é pro fundo das redes

Segredo é pra quatro paredes

Não deixe que males pequeninos venham transtornar os nossos destinos

O peixe é pro fundo das redes

Segredo é pra quatro paredes

Primeiro é preciso julgar

Pra depois condenar.

Quando o infortúnio nos bate à porta

E o amor nos foge pela janela

A felicidade para nós está morta

E não se pode viver sem ela.

Para o nosso mal não há remédio, coração,

Ninguém tem culpa da nossa desunião.”

É preciso cantar e alegrar a cidade!..

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Mais boas novidades já já!!!

Ao artista que não é

quarta-feira, 2 de junho de 2010


(Ou: Por Que Todo Mundo Quer Ser Artista?)

Caro artista que não é: olhe: saiba: saque: veja: há uma arte toda em só observar sem agir.

Bendita a platéia, esta multidão escura e encantadora, que se desconhece e se encontra, a si mesma, na escuridão anônima, cheia de realidade.

No palco, o faz-de-conta. Luz linda que é só para ser vista. E saboreada!..

O motor do espetáculo de realeza e mentira é a platéia sincera.

Platéia que olha e sabe e saca e vê se o do palco é tesouro ou pretensa beleza, se é luz verdadeira ou impostora.

Bendita a platéia que arranca do artista a magia e a humanidade, esta última uma coisa tão íntima-ínfima-minúscula que há de ser de diamante pra não se estilhaçar.

Bendita a platéia que não aquece a voz não tem insônia não se apavora com uma possível gripe não responde às mesmas perguntas nas entrevistas não tem a responsabilidade de conduzir cada minuto de espetáculo não se resguarda não se aflige não se prepara não se entrega fácil.

Bendita a platéia, que não está em perigo!

O artista não quer se fazer! Ele é.

O admirador não quer se tornar! Ele vê.

Há arte de verdade em qualquer função que com arte se cumpra.

Há a arte de olhar.

Portanto, seja mais, muito mais autocrítico, rígido, autêntico: não seja o pseudo-artista, sem coisa nenhuma na essência. A platéia lhe será crítica, rígida e autêntica - e com ela não se brinca - nesse jogo ela é o Rei.

Arte é nas entranhas.

Caro artista que não é:

VÁ CANTAR EM OUTRA FREGUESIA