Arquivos de março de 2010

Letra-letrinha para ijexá colorido. E açucarado

quarta-feira, 31 de março de 2010

(Composto às palmas)

Ele pegou no seu braço

Sem dor ou cansaço

Como fosse dono

Do resto

Ela nem foi mais pro lado

Entrou no compasso

Pensou Ah pra ele eu me empresto!

Quem nesse caso iria fugir, desonesto à doçura, à quentura do gesto?..

Ah, ele não

Ah, ela não

Bendita essa hora de festa,

A moça sorriu e deixou esse moço a levar pela mão

Bendita essa hora de festa,

O moço sorriu, ajeitou o cabelo, abriu o coração

Companhia

terça-feira, 23 de março de 2010

“O amor é uma companhia.

Já não sei andar só pelos caminhos,

Porque já não posso andar só.”

Alberto Caeiro

É que encontrar você é como andar

Sem pressa

Estufando o peito

Quase como andar no contratempo

Rindo à beça

Encontrar você

É só o que interessa

No momento

Isento

Pois: não se abstenha

Venha colorir depressa

Meu desprendimento

Venha

Como eu vim: sem senha

Só o coração lento que desata

E que desenha

Seus rabiscos vivos

De cansaço e lenha. 

Encontrar você

É atirar as máscaras ao vento

Descascar do corpo

Cada descontentamento

Peça a peça

Encontrar você é uma urgência expressa

No meu centro pincelado de promessas:

O meu círculo de sentimento interno intenso e imerso.

Venha que o tormento cessa

Se o seu caminhar começa

No meu tempo - 

No seu toque atento

Fora

Que decora

Tudo dentro.

A Quarta Arte. E quanta arte!

terça-feira, 16 de março de 2010

 

               Quem acompanha o blog já sabe que meu lado artístico tem duas paixões primeiras: a música, evidentemente; e a literatura, que aqui tem de monte! Cantar e escrever têm sido minhas alegrias há muito tempo. Mas, felizmente, para fazer arte (em todos os sentidos!) nunca há um limite, nunca há um cansaço, nunca há qualquer limitação. Ao menos pra mim!

               Por isso, vêm se unir às minhas paixões duas novas artes fundamentais! O teatro (leia As Cantatrizes) e: a dança!!!

               Tudo isso pra contar uma coisura que mexeu comigo, hoje…

               Houve uma alegria inédita, comovente, simplesmente descomunal: imaginem que, enquanto eu fazia minha aula de ballet clássico de sempre (leia: A volta da bailarina sem ponta. E ponto), de um momento para o outro, ouvi ao longe uma música minha… Fiquei desconfiada, olhando para os lados em meio ao plié, ouvindo aquele piano do Jeneci, minha voz… Que seria? Até que descobri: vejam só: ninguém menos que a Tati Sanchis, dona da escola, coreógrafa e dançarina maravilhosa, estava ensinando “Nascer de Novo”, a la jazz, em sua aula especial só para professores!!!

               Aficionada que sou por dança, do frevo ao balé, mal pude acreditar no que via! Os movimentos que ela criara de acordo com a dinâmica da minha interpretação! A fluência do que ela criara pegando fôlego no que eu criei! A beleza pura dessa parceria desavisada, à primeira vista, por pura vontade, por pura necessidade, nossa!

               …E entendi que tudo aquilo era uma coisa só, inseparável, da gravação musical no disco à minha interpretação cênica no palco, da letra poética do Dani Black à coreografia que a Tati havia criado para conduzi-la, do arranjo do piano à emoção única de gravar ao vivo, sem editar. Isto é: a criação artística por essência.

               E enfim, pra comemorar e dividir, deixo aqui algumas criações próprias, não minhas, mas do público, de quem quer que seja, que encontrei há uns tempos fuçando e xeretando no Youtube, coisa que todo artista deveria fazer!!! 

               Que a nossa arte sempre dê essa vontade de fazer mais arte ainda. 

               Com vocês… Vocês!


Adolescência (2)

segunda-feira, 8 de março de 2010

Música que eu, meu primo (Paulo Novaes) e meu irmão (Lucas Caram) fizemos de presente para minha mana Luíza aos seus recém completados 15 anos! Começada e terminada dois dias antes da festa, filmada um dia antes… Tudo pra passar na hora, e (ufa!) deu tempo!

Enfim, retrato adolescente - retrato da homenageada. Pra vocês ouvirem, via vídeo caseiro!

Até Agora (Lucas Caram/ Paulo Novaes/ Bruna Caram)


Até agora

Ela nem sabe o que é demora

Pra ela toda a hora é hora

E aqui já é lugar


Mas não demora

Ela vai vir mudar toda história

Cantar e devolver a vitória

Perder e acertar


Pra sentir melhor tudo o que der

E pra rir do que quiser

Puder


Sorte de quem estiver pra acompanhar a dança

Sorte dela que anda além de onde a vista alcança


Sorte que ‘inda tem a noite toda pra essa dança

E azar de quem ela fizer se confundir

Pra se distrair

E se divertir/ E evoluir

Elogio à Indesejada:

terça-feira, 2 de março de 2010

A solidão desejada.

A requerida.

Esta é bem-vinda

Por um fio ela é trazida

E, num triz, já se desfaz.

Esta, espia por detrás,

Não mais –

Se dá por convencida.

É a benvinda amiga minha:

Solidãozinha de veludo!

O seu conteúdo

É leve

É lento

É lindo…

Ela serve de pimenta!

Orienta!

É adubo!

Deixa um fundo, um mundo, um vulto

Da escurecida essência

De amor

E independência.

 

Solidão não é escudo!

Você é que pensa.