Arquivos de novembro de 2009

Ofício

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Gravaçãozinha à-toa do ensaio da canção Ofício (Cantar), parceria minha com o Caê Rolfsen, que cantamos pela primeira vez ao vivo na quinta-feira passada, no show dele no Sesc Pinheiros.

O poema que originou a música está aqui num post antigo mas coloco de novo, já que, pra rodopiar na melodia, sofreu umas poucas alterações!

Ah! E as vozes da gravação são de três:  minha, do Caê e da Dani Gurgel.

Divirtam-se com nossos bastidores.

Ofício (clique pra escutar)

Cantar só pra cair em si

E sair menos só

Só pra ver que dá pé

Fazer fé no gogó

Pra gritar essa luz e calar o revés

Pra amar, fazer jus, sem porém nem até. 

 

Só cantar,

Pra sofrer, pra parar, pra acordar, pra acudir

Pra doer, pra doar, pra sangrar, pra seguir,

Pra sarar, pra sorrir, pra vocês e pra nós

Pra ter vez, pra ter paz, pra ter cor, pra ter giz

Ter pincéis, ter cartaz, ter contorno e verniz

Ser voraz, ser velos, ser atroz, ser atriz

Ter o céu rente à voz pra despertar o bis

 

Cantar é atar nós

E desatar, feliz…

 

 

Poema que aconteceu*

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

 

 

Fui lá e disse:

- Vou fazer um poema pra você!

E ele:

- Vai nada!

E eu:

- Vou sim!

Mas eu não ia nada.

O impulso era a fé.

 

Até

Que ele sorriu da porta

- Eu sorri de volta -

E ele veio pro beijo.

(Meu Deus!, e que beijo!

Quente, perfumado…)

Depois, o lampejo

Da luz amarela

No sorriso branco

Escancarava, puro,

O escuro da barba

Criando, brilhante,

Amor grande e sem farpa.

 

O resto do corpo,

Só se aprochegava:

Crescia

Cobria

Coloria a gente!

Somente a beleza

Era nosso presente -

Tão forte e serena,

Que fez-me envolvida:

Nem vi, distraída,

Que ele era o poema…

 

* Confirmo e esclareço desde já que o título foi irresistivelmente furtado do poema de Carlos Drummond de Andrade, o Poema Que Aconteceu. Afinal, caiu como uma luva, além do quê, o poema do mestre trata de um domingo – data em que terminei este aqui. Que Drummond me perdoe o empréstimo póstumo – e a ele, todas as reverências.

Enquanto seu lobo não vem

domingo, 15 de novembro de 2009

 

 

 

 

 

 

 

 

               Enquanto preparamos novidades e apresentações para os próximos meses, vão aí alguns vídeos recentes que encontrei no Youtube, nas minhas fuçadas habituais! Beijo procês! Aguardem-nos!

Livre

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Tá tudo bem…

Bem mais suave

Bem à toa.

Gosto dele nessa calma

- Nesse vôo -

Que eu nem sei se vai vingar

Se vai prender

Ou escapar

Se vai crescer

Ou vai cansar…

 

Eu gosto dele assim,

De um jeito que eu não sei se vai fugir

Ou vai ficar.

Se é doer

Ou é sarar.

Eu gosto dele e nele eu posso até passar…

 

Eu gosto dele sem moldura

Sem dispor, sem partitura,

Sem lugar, sem peso, nem peça, nem par.

 

Eu gosto dele e nele eu posso passear…

 

E há quem aposte

E até quem goste

De dizer, pra prevenir,

que eu posso vir a precisar

Desse querer que eu nunca quis fazer fincar.

 

Mas meu querer é meu querer

E faz melhor:

E só trazer sem exigir

Sem vir correndo se exibir

Nem vir correndo se amarrar.

 

É sem palpite, sem convite, sem revide, sem qualquer rigor de altar:

É claro, é puro, é sempre à toa,

É brilho que não quer pegar.

É reluzir

Sem relutar.

 

Eu gosto dele

Mesmo se ninguém olhar

Num gesto livre, a me levar

De um jeito leve, decidido, que não deve,

Que nem sabe pra que serve,

Nem se atreve a se gastar…

Essa estrada me chamou! Eu vou…

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Música nova tocando na Eldorado FM e a partir de hoje na Nova Brasil FM! No clima já de férias, música pra arrumar a mala e pegar a estrada! Peçam nas rádios, divulguem, cantem, divirtam-se, flutuem! Beijo!

 

Caminho Pro Interior (Otávio Toledo/ Costa Netto)

 

A manhã nasceu lá fora

O meu tempo é mesmo agora

Já vesti a roupa colorida

Na cabeça vem aquele verso

Sobre o meu novo universo

A canção que é minha preferida

 

Nesse rio sei andar na beira

Desvario é essa cachoeira

Trilha subindo a mata

A vista que me arrebata

 

Essa estrada me chamou

Eu vou

Caminho pro interior

Essa estrada me chamou

Eu vou

Caminho pro interior

 

Quaresmeira se encheu de flores

Já calcei o velho tênis

Nãio tirei nosso bóttom da mochila

 

Ter de novo sua mão na minha

A razão por que andou sozinha

Nem sei mais, um sentimento não vacila

 

Escutei sua voz no vento

Coração salta no meu peito

Trilha subindo a mata

A vista que me arrebata

 

Seu olhar já me chamou

Eu vou

Caminho pro interior

Seu olhar já me chamou

Eu vou

Caminho pro interior…