Arquivos de julho de 2009

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terça-feira, 28 de julho de 2009

 

 

A dor escura

Desse amor mortinho em flor

Iluminou

Sem se dar conta

Um novo bocado de amor

Um canto tonto aqui no peito

Onde se encontra um novo jeito

De gostar só sempre mais

 

E toda vez que penso

“Oh ele não me quis”

Não deixo de ficar feliz

Porque o amor que amargurei

Reflete grande, feito espelho,

Espalha-se sem meio-termo:

E amo outros homens logo!,

Nesse mesmo tom vermelho

Colorindo meu receio

De sofrer por desamar.

 

E eu deságuo cada dor no amor seguinte

Multiplico, faço um brinde

E enxugo o copo ao me entornar.

Nascer de Novo

quinta-feira, 23 de julho de 2009

                Santas mini-baladas!

                Encontrei aqui a gravaçãozinha safada que fiz do Dani Black me ensinando a cantar Nascer de Novo na casa do Pedro Altério!.. Foi este o domingo em que ele me telefonou pra ir à casa do Pedro, e eu já de pijama e deitada na cama já avisei que não ia. Ele insistiu que insistiu: “Muita música e gente interessante. Vem?” Na terceira investida, venceu:

                - Cês são foda, to pondo a roupa por cima do pijama e vou…

                Fui, toda torta e com um cachecol tão gigante que era mais um cobertorzão. Foi lá que os Pedrinhos (Altério e Viáfora) me apresentaram o Gargalhadas!, que veio ser o ingrediente que faltava pra eu fechar o disco! E foi lá que cantei Nascer de Novo com o Dani e ele finalmente resolveu me liberar a música (antes ele ia guardar pro disco dele, pra continuar inédita)!..

                Ou seja, foi como eu disse ao ir embora:

                - Valeu a pena ter vindo de pijama e tudo!!! Eu vim pra buscar essas músicas!!!

                E o Dani:

                - E eu to de prova que você veio não só de pijama, mas de cobertor!!!

nascerdenovo1

nascerdenovo2

O som que chega na ponta dos pés…

sábado, 18 de julho de 2009

  

                             Quando nos reunimos para criar a capa do disco, eu, o Danilo Scaletsky (responsável pela arte do encarte) e a Christiana Carvalho (fotógrafa), uma idéia minha norteou toda a discussão sobre as fotos: eu queria que fosse um lugar feio, sujo, cinza, poluído, e que eu o colorisse, simbolizando que nosso som vinha alegrar as coisas mais feias, fazer flutuar no meio do que era pesado, que ia atravessar a cidade, o trânsito, furar “o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio”, como diria Drummond!E, eles logo sacaram tudo!, assim, fomos fotografar o encarte, no 35º do Edifício Copan, na cobertura. Pra complementar a idéia toda, antes da sessão encontrei essa foto-referência (no Google, ui!) e enviei pra eles: era isso!!! O som que vinha delicado, livre, enfeitado, na ponta dos pés ignorando tudo ao redor, e firme e forte (que ficar na ponta, convenhamos, não é pra moça molenga! É literalmente de doer)…

                Depois veio a Oficina de Estilo com o figurino incrível e nasceu o encarte que vocês têm em mãos! Vim aqui divulgar essa inédita então, queridos! Divirtam-se que esse disco foi feito pensando em curar!..

 

Versos Baratos de Guardanapo

terça-feira, 14 de julho de 2009

 

Vinho

 

Adoro essas horas

De desalinho:

Todos brindaram,

Tomaram vinho,

E trazem nos lábios

A tal tinta roxa.

 

Poxa!, acho isso lindo!

Por gentileza,

Alguém nessa mesa

Se casa comigo?

 

 

Elegância

 

A mulher quando se pinta

Quase sempre é pra afirmar

Sua nobreza e avidez.

 

Quando usa salto alto

Quase sempre é pra pisar

Na cabeça de algum ex.

 

 

Poema de Um Verso Só

Cada vez que te vejo e você não me beija deixa uma tristeza sem fim

Drô

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Música (aqui, só poema) que compus para o meu melhor amigo, Pedro, há um tempão, contando a histórias de desde que ficamos amigos, aos 7 anos!..

 

Quem é esse Pedro? Menininho engraçado…

Já gostei dele por debaixo do boné

E soube até que ele tem duas namoradas

Logo quis ser a terceira, mas não soube se dá pé

 

Quem é esse Pedro do verdade ou desafio,

Do bilhete mais bonito, do polícia-e-ladrão?

Quem é esse Pedro que era só qualquer menino

Mas ficou e se fincou e foi ficando meu irmão…

 

É que esse Pedro quando o tempo foi passando

Foi mesmo se revelando

Um alguém tão genial

Que estando perto, pelo riso ou pelo pranto

Só de estar me escutando

Ele desfazia o mal.

 

Esse é o Pedro que cresceu comigo

Nas viagens, nas passagens, nas bobagens e na dor

Esse é o Pedro dos mil apelidos:

Guga, Ovelha, Pete, PH, Gordinho, Drô.

 

Esse é o Pedro que viveu os amores

Meu amigo da fossa e da comemoração

Da bebedeira, dos começos, dos pudores,

Rindo à toa, numa boa, ouvindo muito Legião

 

Esse é o Pedro que não vê tempo passando

Que demora se arrumando

E fica pouco pontual

Mas é o Pedro desde tantos anos

Que me salva se salvando

Me tirando do normal.

 

Esse é o Pedro que cresceu comigo

Nas viagens, nas passagens, nas bobagens e na dor

Esse é o Pedro dos mil apelidos

Urso, Nick, Pê, Vampiro-Cabeludo, Drô

 

Esse é o Pedro da madruga mal dormida

Esse é o Pedro de andar de braço dado

Esse é o Pedro que entrou na minha vida

E nunca mais a gente quis ir cada um pra um lado.

 

 

Incêndio

domingo, 5 de julho de 2009

“Um fogo queimou dentro de mim
Que não tem mais jeito de se apagar
Nem mesmo com toda água do mar
Preciso aprender os mistérios do fogo

Pra te incendiar”…

Mistérios, Maurício Maestro/ Joyce.

 

10 de Maio. ? Ou 9 ou 10 ou 11.

 

                Estou ficando louca. Não sei o que estou instigando, nem sei por quê, só sei que é da minha  pura natureza não ter parado pra pensar até agora. Aliás, até agora só ter parado pra comemorar!, pra enfeitar com fogos de artifício o sentimento já incendiado. Por que nasci sem breque, só sede? (Nem pra nascer perguntei se era hora; fui lá chegando e quem estivesse por perto que se virasse e me arrancasse daquela espera interminável). Essência. Incrível como é fácil se deixar levar pelo bom sem tomar tento no perigo!, é como diz o povo, ó: “Proibido é mais gostoso”, e quando o povo diz, a gente nem precisa explicações, só sabe de imediato que é assim e assim é. Sabedoria ancestral. Onde há fumaça, há fogo; quem brinca com fogo, quer se queimar. Quem desdenha quer comprar e quem procura, acha. Ah se a gente pudesse saber sempre onde é que está pondo os pés…

                Não sei fazer de outro jeito. Não sei me convencer: nem a esperar o que espero, nem a esperar o contrário. É preciso sempre esperar alguma coisa? “Saúde pro amor que vive em você”, escreveu-me o moço, e por que escreveu isso? Saúde pra quê?, se o destino dele é não ser??? Ou o destino é outro? Meu espírito criança deixa crer: ele será. Meu veneno adulto cutuca o calo da esperança ingênua, e resmunga, Idiota. Todas as mulheres dentro de mim não calam a boca, a Valquíria, a Lola, a Maria, a Dulce, a Soraia, a Dona Júlia, a Tereza, a Leila, pelo amor dos santos, menos!!! Por isto é que é necessário apenas ter amigos homens, essa mulherada dentro de cada mulher já fala feito uma multidão desenfreada. Fico aqui, fazendo pouco caso, então, cuspindo conselhos pro alto - e lhe aconselho não pegá-los - fazendo exatamente o que tenho feito desde sempre: o que quiser. Sei lá. Sei lá até quando esse segredo guardado por dois transparentes não colore o em-volta e queima pro mundo inteiro boquiabrir. Já vem escrito na testa em tinta vermelha. Belo disfarce!

                E ainda assim, algo nele me orgulha tanto!..

                Só posso estar ficando louca, alívio de explicação, estou ficando louca, estou louca, enlouqueci, perdi o juízo, pronto, ótimo, feito, louca, pronto, ponto final.