Arquivos de maio de 2009

Tá chegando!!!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

                Ah, meus queridos, já tá chegando!

                Viva a rotina árdua de ensaio, ensaio, ensaio, insônia e ensaio!

                O show novo terá direção da Cris Ferri, que é atriz e muito me está fazendo suar pra dar o melhor e o maior a cada canção! Sorte minha, e de vocês também, que vão ver não um showzinho de música, mas um espetáculo!!!

                Meu coração já quer pular pra fora e minha banda querida, forte e afiadíssima já quer botar o pé pra fora e correr estrada espalhando o feriado para o pessoal!!!

                Espero chegar a vocês com toda a alegria e o furor que está nos contagiando na preparação! Mesmo porque, o mote do disco, do show, do repertório, do tudo, é a alegria!

                Um bocado dela pra vocês, e até lá!!!

 

Informações que aí arriba estão muito mixurucas de pequeninas:

Pré-lançamento do FERIADO PESSOAL

10 de junho de 2009, 21h

Teatro das Artes - Shopping Eldorado – 3ºpiso
Telefone(s): 4003-2330 - 3034-0075 – ingressos JÁ À VENDA!

Promoção: até o dia 30 de maio, os ingressos poderão ser adquiridos por R$ 25,00. Após esta data o valor será de R$ 40,00.

 

 

Encruzilhada

domingo, 24 de maio de 2009

“Se antes de cada acto nosso nos puséssemos a prever todas as consequências dele,
a pensar nelas a sério,

primeiro as imediatas,

depois as prováveis,

depois as possíveis,

depois as imagináveis,
não chegaríamos sequer a mover-nos de onde o primeiro pensamento nos tivesse feito parar”.

José Saramago

                De cada lado da esquina cada um tornou à sua vida, que tinha entortado um dedinho para esse encontro suave. Não se deram um beijo, como era sempre a possibilidade, hoje, não, pois quando um não quer, dois não fazem; assim sendo, só se olharam mais uma vez e viraram-se as costas.

                Ele foi com sua certeza reta - foi convicto tomar o táxi, nem notou que as mãos iam fechadas, segurando a vida em linha, tentando assegurar, mas ela ia que ia se emaranhando toda, deixando sua certeza cada vez mais torta. Na memória, a esquina ia ficando reta, já vazia. O rumo, senhor?  Tanto faz, responderia ele. Qualquer rumo era só uma estrada sem chão. Só um destino firme vindo direto à cabeça e à voz, Deixe-me na esquina aqui em frente cinco minutos atrás, por favor.

                Ela foi com o beijo negado na ponta da língua, doendo sem pena, a lágrima limpa prateando o canto do olho direito. Ele não a queria?, então tinha se enganado durante todo o tempo durante toda a tarde a noite e até ali, na esquina torta onde o beijo quente esfriava desperdiçado. O que fora aquilo há cinco minutos?, e por quê? Só o caminho pra casa era reto e ela se agarrava a ele, Meu carro está parado ali: ufa, uma certeza!.

                Mas: todo senão toda máscara todo esconderijo toda separação era falha no encontro destes dois, que acontecia assim: mesmo sem acontecer. Fossem cada um pro seu caminho, e ainda assim, lá na ponta estavam ambos atados pelo fio do pensamento. Pelos olhos. Pelas mãos.

                A ponta do caminho por que a gente vai se chama destino. A mesma palavra se usa pra dizer que bem que a gente tentou, mas não deu pra acontecer de outro jeito.

                O errado ficava certo; a cautela era, no fundo, ousadia; um passo para trás era muito mais ainda dois para frente; a rejeição fora só desespero de tanta entrega. A esquiva era a real confissão.

                Por isso ficou cada um de um lado da rua, pensando no outro, prevendo ásperas dores e delícias, segurando suas linhas sem sentido nas palmas das mãos, sem saber nem pra qual lado andar sem os preciosos passos parceiros do outro, sem saber por quais lados se perder de maneira a garantir que não mais se encontrassem, e, sobretudo, que não mais tivessem que se separar…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Açúcar

sexta-feira, 22 de maio de 2009

(frevo)

 

Ana

Sílvia:

Uma

Só.

Dizem que é linda

Que é quente

Que é doida -

Cheia de vontade à toa!

 

Ana

Sílvia:

Dá-se a todos por bondade…

“Viva a igualdade!”, ela faz

Que não sabe que essa fama voa

 

Ana

Sílvia:

Fogo que não quer garoa!

Queima que não perdoa

E dizem que ela adoça

Mas, depois, enjoa…

 

 

 

 

 

Remédio

terça-feira, 19 de maio de 2009

“Todo mundo é um pouco triste e um pouco só.”

Clarice Lispector

 

                Botei minha saia rodada e olhei no relógio: trinta minutos pra hora de ir. Quinze pra escolher o resto da produção, quinze pra maquiagem, e pronto. Alonguei as pernas doloridas colocando as palmas das mãos no chão – dorzinha boa que cura a ruim, a amarguinha.

                Troquei três vezes os sapatos, e, preferindo o último, tive de trocar todo o resto, exceto a saia, que era o mote de todo o figurino. Sentei diante do espelho me sentindo bonita um bocado, e ali mesmo, cotovelo apoiado no joelho, comecei a chorar.

                É que a solidão enorme me pinicava o fundo da garganta. Me fazia mais humana, sim - a voz mais doce e mais doída, mas… a que custo! Olhei pro celular que não tocara, pensei, Vou ligar!, peguei-o como a um tesouro, procurei o nome. Larguei-o no chão em seguida, ler o nome me fez perder toda a vontade. Que favor pedir de um amor passado, que escolheu passar? Qual traço vago de sentimento eu acreditava poder retrazer, que me servisse? Como se eu não soubesse, como se não estivesse cansada da convicção de que não posso com migalhas. Olha: não é da minha essência catar pouquices pelo caminho. Ah, essa exigência grave de viver enormidades!  Uma das mulheres dentro de mim é a que rejeita fiapinhos de sentimento; e não posso com ela, a Valquíria.

                Fiz o esforço: fiz que cansei de chorar. Levantei, lavei o rosto com calma. Tinha perdido minutos demais no drama sem ver – embora o tempo ali estivesse só congelado; só que o relógio não contou, pra variar. Pensei, sabendo: vou subir ao palco dentro de uma hora, e dali de cima ninguém vai saber que sou triste e só. Da platéia, vão pensar que vivo assim sorrindo, e que sou amada com justiça. Esta farsa não me dói!, mesmo porque, na hora, com a música ali pulsando, na hora é isso tudo a plena verdade. Bela liberdade! Vou cantar e aí não vou querer descer!, a vida é desconfortável e o palco é estar em casa, um doce lar.

                Maquiei-me com tanta minúcia que atrasei trinta minutos. Precisava ter a certeza, no espelho do elevador, de que a máscara estava convincente. Engoli o choro ao me ver ali, soube que de madrugada ia voltar, oh ídola com pés de barro, e dormir sozinha, eu e meu mérito que já não serviria pra nada.

                Mas a arte é: um milagre. Subi; cantei; fervi; enchi o ao-redor de espirais vermelhas, finíssimas, espalhadas, saltando de mim sem que eu jamais me desse conta de onde guardara a semente colorida. Isto é meu mesmo? Esperei. E por que, se eu precisava, não encontrei aqui, por dentro? Perguntei. Segui. Não soube.

                Pois acontece que quando desci, era outra! Uma leve, que flutuava, não tinha máscaras nem celular nem fiapos nem nomes. Ganhei abraços, e sorri, purinha. A festa seguia em frente, podíamos dançar. Então, dancei pulei fervi frevi - esqueci. Esqueci do quê? Nem lembrava. Em alguma coisa, sabia assim só: sarei.

                Temos a arte para que a verdade não nos destrua; assim disse meu ídolo número 1, Charles Chaplin, também com pés de barro como todos os grandes ídolos.

                Cheguei em casa tão esgotada que dormi sem enxergar, felizmente esparramada! - livre na cama enorme.

 

               

               

Tomem baile!

sábado, 16 de maio de 2009

                Este é mais tortinho! Gravado do ano passado - eu tinha até perdido aqui nos arquivos do computador… Foi feito durante dois dias de estúdio, meio de qualquer jeito (deixei a câmera ligada um tempão em cima da mesa), depois eu mesma editei como deu (mal! haha) o apanhado geral!

                Estávamos gravando baixo (com Serginho Carvalho) e bateria (com Serginho Machado) na música Feriado Pessoal- a faixa-título do cd novo, letra e música minha! Estamos presentes aí eu, os Serginhos e o Alexandre Fontanetti (Nildo), no Space Blues, onde gravamos quase o disco todo.

                O som está o original da filmagem, então vocês ainda só vão petiscar a música! Mas dá pra tomar baile de leve!

                E: ontem estreou OUTRA música, novíssima, na rádio Nova Brasil fm, procurem sintonizar 89,7 e já podem devorar!!! Beijo!

P e t i s q u e m!

terça-feira, 12 de maio de 2009

 

 

 

Pois é, o som novo vem à tona - provavelmente ainda este mês!!! Então não custa nada um aperitivinho! Arrisquem, petisquem! Nhac.

Eis uma edição de várias filmagens da nossa fase de gravações, feitas pelo jornalista Lucas Caram, meu irmão. A música é a maravilhosa Nascer de Novo, felizmente confiada a mim pelo grande compositor Dani Black! Vixe, qu sorte! Foi excepcionalmente gravada no estúdio do amigo e pianista Zé Godói, em feveriro ou março deste ano. Gravamos apenas Marcelo Jeneci ao piano e eu ao gogó. Acompanhando nossa gravação estão: o produtor do disco, Alexandre Fontanetti, e o meu técnico de som, Pedro Marin. O octeto de cordas que aparece é da gravação de uma outra música, que logo vocês conhecerão…

Divirtam-se e até breve!!!

 

 

 

Possibilidade

sexta-feira, 8 de maio de 2009

“Deve haver algum lugar

Um confuso casarão

Onde os sonhos serão reais

E a vida, não…”

Chico Buarque, Edu Lobo, A Moça do Sonho.

 

Eu sou o seu amor de longe

Pelo qual sempre correr

Pelo qual sempre querer

Sonhar em paz

 

Eu sou o sonho que você não pode ter

Que toda noite vai volver

E de manhã não vai ser mais

 

Eu sou o sonho que vive a te despertar

E revirar, virar, voar !

Eu sou o sonho pelo qual nem acordar…

 

Eu sou a graça

Uma fumaça cor-de-rosa

Que na noite cria asas

Pra outras cores te assoprar

 

Eu sou a pressa

Essa bailarina avessa

Girando, pra que pareça

Bom demais me acompanhar

 

Eu sou o sonho

que não tem por que se esconda

sou seu sonho sem vergonha:

Seu dormir sem descansar

  

Eu sou o sonho

Todo sono é meu início

Eis o nosso compromisso:

Nosso enfim poder-estar

 

E sei bem: eu agora sou só isso

Mas espalho meu resquício

Nessas noites-de-encantar…

 

 

 

 

Virose da Virada

terça-feira, 5 de maio de 2009

  

              Desfaço a mochila do fim-de-semana: óculos escuros, cantil de água-de-coco, barrinha de cereal, casaco, cachecol, grana, documentos, gel pra lavar a mão, celular, chave do carro. E especialmente um pedaço de papel  todo surrado de tanto dobrar e desdobrar, com os dizeres abaixo, rodeados de horários e indicações:

                Anelis; Iara; Camelo; Tom Zé; Clube do Balanço; Curumin; Chico; Os Opalas; domingo Cordel do Fogo Encantado; Nação Zumbi; Jenecas; Gafifa; show do Ronaldo!; Maria Rita.

                Sem palavras pra dizer o quanto amo a Virada Cultural! Esse amontoado de shows, feito para que no fim lamentemos o que não deu pra ver, e essa correria maluca pra ver tudo e especialmente pra ver até que hora a gente agüenta..! Andando pelas ruas do centro, nessa pegada, me sinto em pleno Carnaval, em pleno Recife, só pela festa de rua. Além do fato óbvio de que é a minha cidade! E a cada ano, o fato especial de que vou ver shows de amigos. Não combino de encontrar ninguém, mas vou encontrando todo mundo por aí; danço, rio, canto, conheço músicas que não conhecia, tenho como refeições as frituras horrorosas e deliciosas típicas,  por preços ridículos - e ando de metrô durante a madrugada! (Embora esse ano o metrô tenha sido um grande fiasco pra atender o tanto de gente que estava na rua… foi a coisa mais absurda e que estragou um pouco da Virada…)

                De todos, uma pergunta ao me ver: vai tocar??? Vou tocar não, dessa vez só vim assistir!Tocar não tem preço nem paga, mas poder só assistir e abusar de virar também é uma delícia!

                Comecei assim: vi a Iara Rennó às 20h30, fiquei encantada, adorei, tinha visto o mesmo show há meses mas me pareceu que o show tinha crescido anos. Em seguida, passamos no show do Joelho de Porco (!!!), encontrar meu tio, comemos yakissoba na rua e fomos ver o Marcelo Camelo. Nem tenho o disco solo dele, amo o Los Hermanos, em suma, fui de curiosa. E saí apaixonada! Vou comprar o disco. Pra relaxar, fomos ao Clube do Balanço, mas: tão lotado que não dava pra andar, pra dançar, pra escutar nem conversar. Desistimos dos shows das 3h, mas se soubéssemos do caos do metrô, teríamos segurado firme! Cheguei em casa, banho e cama imediatos! E justos.

                Domingo fui a primeira a acordar e telefonar pros meus primos, que tinham sido minha companhia desde o princípio. Acordem acordem, que já perdi o Cordel!!!, e meio-dia tem Nação Zumbi! Eles acordaram, mas devido a um problema comum de enrolação de grupo, não dava mais tempo de ver Nação. Fomos ao Marcelo Jeneci, meu amigo, pianista que gravou comigo. Bendito sol a pino, adorei assistir ao show assim de dia! Tinha pouca gente, mas gostei até mais por isso (esse palco do Largo Santa Efigênia foi o meu favorito)! De lá, Juliana Amaral e a Gafieira Etc e Tal, que não estava na minha programação mas me sugou pra ali, doida que eu estava pra dançar. Não ia beber porque nem tinha me recuperado das baladas de quarta e quinta, mas quando vi, a cervejinha gelada estava na mão! Chegou a Giana Viscardi, corinthiana e fã de carteirinha da Gafieira São Paulo como eu (era a próxima atração), e aí é que não teve jeito mesmo. Quando a Gafifa atacou, quase 15h, dançamos pulamos cantamos bebemos e quase choramos! Eita saudadona, fazia meses que não víamos o show desses amigos!

                Show este que acabou dez-pra-hora-do-jogo, o esperado show do Ronaldo! Voei pro bar mais próximo, vesti a camiseta campeã, tomei mais cervejas, fiquei brava, feliz, brava, feliz, e só sei que ao fim de tudo, ao pular na rua e cantar, minha garganta já dava sinais de que era melhor ir embora! Ih, a gente grita sem saber. Bom, meu gogó manda em mim! Cancelei a Maria Rita, botei a mochila nas costas e fui embora antes de todos, mas feliz, feliz da vida com o domingo grande!

                Agora cheguei em casa, desfiz a mochila, alívio! Já era a primeira aula de segunda-feira; já sinto que estou meio doentona… Resquícios da Virada! Tosse, garganta pegando, cansaço sem fim! De novo: parece carnaval. Amanhã é quarta de cinzas e aposto que um montão de gente vai estar na virose da virada! Mas feliz como eu. E vocês, público, assistiram ao quê???

                Feliz sentimento pós-carnaval, pós-Virada, pós-qualquer-festa-de-rua, pós-final-de-campeonato! Que é uma febre da cabeça aos pés…