Arquivos de março de 2009

Sem Compromisso. Nem Paciência

segunda-feira, 30 de março de 2009

“Visto que talvez nem tudo seja falso,

Que nada,

Oh meu amor,

nos cure do prazer quase espasmo de mentir.”

 

Fernando Pessoa

 

 

                Uma piada. É isso o que foi até agora, desde que pisei aqui pela primeira vez sem saber por que vinha. “Eu estava fraca!”, é a justificativa que invento, mas a verdade é que continuo voltando, e afundando, mil passos em falso - até que não consigo evitar.

                Vinícius já acordou, vê tevê na sala, mal-humorado como o diabo, e eu tirando a maquiagem restante aqui, ao espelho. Quando lhe disse bom-dia num beijo, ele pareceu não ligar, e eu fiquei triste. E por quê? Não sei, ciúme. Não sou eu esta mulher tirando a maquiagem ao espelho; nem exatamente outra coisa que ela com ou sem maquiagem.

                Vim à sala arrumar minhas coisas pra ir embora, Vinícius disse ao me ver passar que tenho as pernas mais bonitas do mundo. Nossa que vontade de quebrar a cara dele. E pensar que há vinte minutos estávamos respirando rosto a rosto vestindo apenas um único lençol. Ele dormindo é bonito que só. Que boca!

                Há seis meses venho aqui mas ele não é meu; então finjo não ser dele, eis nossa cínica troca. Pois ontem, eu sozinha, tomando um táxi, o senhor taxista me perguntou, “Você tem namorado?”, e eu respondi “Tenho.” “Qual signo ele é?” E eu: “Leão”. Por que disse isso? Que boba, por que respondi que ele era meu namorado e ainda sorri dizendo essa bobagem?

É porque os outros homens me olham e não enxergo nenhum deles; acomodei meu corpo e meu coração na cama deste leonino que nem me faz infinita questão. E eu? Faço? Sei lá. Inexplicavelmente, Vinícius morre de ciúmes de mim como poucos homens morreram durante minha trajetória amorosa. Ah, e tem uma ex-namorada inesquecível, A Insuperável, que me detesta e eu detesto de volta. Sugo meu ciúme pra dentro até me envenenar, ontem dei um chilique inexplicável quando ele comentou a quinquagésima segunda trivialidade sobre ela. Viu o que dá? Engoli o ciúme depois vomitei. Só sosseguei depois que Vinícius disse: “Se eu fosse você, teria pena dela. Primeiro porque você é quem está aqui, segundo porque ela tem muitas, muitas outras razões pra te admirar.” Ok, meu filho, caia por cima de mim, eu deixo.

Algo nele me apaixona e o desmente. Vinícius é mentiroso. E arrogante. Faz um bico de desprezo quando fala de algo que não acha bom. Às vezes rimos do quanto não temos nada a ver. Mas tem lá seus momentos de galanteios e doçuras, a febre é boa; às vezes brigo com ele e ele graciosamente não me deixa ir embora. Às vezes banca o babaca e desliga o celular, vai pra balada, reaparece no dia seguinte chorando ressacas, me liga, o que é que eu faço? Vou lá cuidar dele. Ah, não mais. Agora o veneno está na ponta da minha língua impaciente. Beijo-o passando veneno. Preciso me livrar desse peso, largar dessa mão, mas a preguiça é tanta que… fico aqui. O que vou fazer por aí sozinha?

Ele me escreve poemas. Quando eu cito minhas frases-de-cabeça (Guimarães Rosa), ele não entende nenhuma. Porque se acha esperto, mas é burro. Ah tudo isso eu pensando aqui enquanto arrumo a mochila, agora ele me chama:

- Vamos, linda?

Acho lindo o jeito dele dizer disso. Ele vai me deixar na aula de ballet e vai trabalhar, sinto orgulho de ele aparecer ao meu lado, estou cansada pela noitada mas simbora pro exercício. Vinícius sabe que estou brava com alguma coisa e me beija com força na hora de se despedir porque sabe que eu gosto, fico doida. Mas é um cínico, isso ele é. Cínico e arrogante.

Despeço-me sabendo que continuo partindo e voltando e não chegando a lugar nenhum.

Nem ele.

Labirinto

quinta-feira, 26 de março de 2009

 

 

                Era uma vez uma moça e seu Príncipe até que um belo dia um chegou pra outra e disse assim, “Preciso ficar sozinho”,  que é o clichê universal para se mandar alguém embora. A moça engoliu seco, que é o que a gente faz quando acontece o impossível. Olhou para a janela e cochichou: “Deus, o que quer que você queira me ensinar com isso, juro que eu aprendo”. Calçou os sapatos e se mandou, atônita.

                Hoje é dia 10 de julho, e Deus continua muito engraçadinho.

                O ilustre e sempre de volta à tona ex, Tigrês, há sete dias abocanhou de volta essa moça Tigresa, e com gosto, afinal era dia de seu aniversário. Ganhou uma boca, uma língua e sinceros votos de parabéns. Muita amizade!

                Na semana que se passou desde então, a Moça despiu suas vestes de tigresa, só que estava com uma vontade louca de enterrar as unhas na cara de um certo antigo Príncipe. Escreveu-lhe cuspindo: “Você é o maior fraco o maior frouxo o maior insensível que já apareceu na minha frente!”. Adorou escrever isso! Ignorou muitos conselhos ao fazê-lo.

                E, pasmem!, o antigo Príncipe respondeu; concordando. Escreveu que de fato fora um imbecil. A Moça lia e gargalhava, socorro, é frouxo mesmo! No fim dos seus escritos, ele pedia: um encontro com muita água e sabão que era pra eles lavarem a roupa suja. Ela apagou o e-mail sem responder; tocou o celular escrito Príncipe; não atendeu.

                Foi pra balada e viu um rapaz lindo, muito lindo, e de ficar assim olhando para ele e sorrindo, se sentiu mais viva. Paquerou-o mas sem atacar porque é nesta arte insistente que está toda a fineza da paquera.

                Nesse meio tempo, pensou de novo no ex, o Tigrês. Por que é que já tinham vivido tanto desencontro, não era para enfim se encontrarem na beira da estrada? O destino não lhe tirara o Príncipe pra devolver este, tão esperado? Mas ela não sabia. Nem sabia se o que sentia por ele agora-já era aquele amor, rehavido, ou só uma saudade solta, uma vaidade. O gosto bom era normal, era o gosto da intimidade que há por cima da pele de todo ex-namorado – e afinal, será que ela não estava só escoando a tristeza do Príncipe para esta ficada? Ah, foda-se. Continuou! - O Tigrês e a Tigresa foram sempre assim: um esboço que não vingava. - Mas, de certa forma, não haviam eles sido, de tanto esboço, um desenho feito, a canetinha? A borracha do tempo teimava. Mas não desfazia seus rabiscos. Assim eles não eram pouca coisa coisa nenhuma!

                Pois voltemos ao labirinto! Os dias correndo. E, sem notícias dos (agora dois) exes, a menina pensava no seu amor da balada, o sem gosto de intimidade, só de novidade! Era um rapaz lindo, mas muito, muito lindo mesmo. Não tinham os números um do outro, ele convidara-lhe para aparecer no mesmo lugar, na quarta-feira. A medida agora era ela ir ou não. Gostosa dúvida! Interrompendo-a, o antigo Príncipe lhe escreveu, dizendo não saber mais o que fazer, ela não atendia nunca? Pedia um encontro. Só.

                Ela telefonou-lhe, leve. Desligou chorando.

                (Ele não disse nada de mais, iam se encontrar; mas as gotas de lágrimas foram porque ela se lembrou de que não queria nunca ter ficado sem ele.) Os foras acontecem, uns menos piores, outros mais inesquecíveis assim.

                Domingo. Tocou o celular bem à noite! E apareceu escrito o nome do outro, o ex, Tigrês. Mas do outro lado da linha ninguém falava nada! Ela ligou: “Oi, você liga e não fala comigo?” E ele: “Eu? Ah! Meu celular deve ter ligado sem querer!.. Mas… Vai fazer o que hoje?”

                E a moça tigresa instigada até o último volume esperava para ver qual chuva ia dar.

 

Cada Qual

domingo, 22 de março de 2009

            I. Ela

 

      Descalçou os sapatos de salto alto e ficou cinco centímetros menos segura. Olhou para os próprios pés, e curvou as costas, naturalmente, incomodada por ter passado a maquiagem que agora teria que tirar. Sentiu que esse negócio de se pintar nunca teve qualquer fundamento, pura bobagem. Saíra há trinta minutos, só trinta minutos, e já ia desmontar toda uma produção de beleza. Porque já estava – já estava, a essa altura, horrorosa.

      Fora uma mínima conversa ao telefone. Se ela chorava agora, pingando sob a meia-calça, era por isso. Fora uma mínima, meia conversa, que a desacatara ao máximo. Ele ligou apenas retornando, anunciou que não ia vê-la no próximo dia nem hoje, contou qualquer coisa que foi fingidamente compreendida e com um beijo desligou.

      Agora que ela se despia ia se sentindo bela, mas burra, uma idiota, tapada, fraca, uma imbecil. No espelho, uma babaca de lingerie. Pernocas bonitas, cabelos recém-cortados para fazer surpresa, e a roupa de baixo mais fácil de tirar que já foi vista; que foi tirada por ela própria, recolocada no armário, e conservada praticamente intacta, com cheiro de nova. 

      “Todo mundo no mundo

      Tem amor, tem seu bem

      Pra esse canto do mundo

      Só o meu que não vem…” 

      Cantarolava Caymmi e, repetindo esse único trecho, ia tendo a voz cada vez mais rouca, ia ficando com pena, e ao menos tempo aliviada porque alguém fizera uma música sentindo a mesma coisa que ela sentia. Não era a única que jamais tinha sido feliz.

      Mas ao redor, no mundo inteiro, só parecia que o amor era tão fácil, tão fácil, via os casais aos beijos, os braços ao redor um do corpo do outro, sorrindo, cochichando, brincando, no metrô, no cinema, na rua, nos shows; e ela sozinha, tão sempre sozinha que já se sentia mirada com fome pelos homens sozinhos, outros tantos, mas a estes por nada queria alimentar, não queria-os mais perto, tinha enjôo, cansaço, só pelo peso interessado dos seus olhares, queria gritar: Não sou sozinha!!! Não sou sozinha!!!, e aparecer radiante tendo um homem seguro em cujo braço segurar. Gostava de entrelaçar os dedos ao dar as mãos a um homem quando se apaixonava. Sentia que os dedos entrelaçados significavam uma aliança bonita. Não queria, só não queria era começar de novo a procura. A tal busca.

      Não: elegera seu homem, resistira e se entregara aos poucos, mas, de repente, como?, já parecia que ele fora se desfiando dela, desfazendo o bordado, ficando livre, solto, de uma liberdade doída, azeda, e ela gastando o açúcar, seu gosto, sua festa. Pois era festa por dentro dela quando ele se aproximava, ele calmo, ele lindo, feito. Não era um menino, era homem e pronto; quente forte mas suave, confortável, confortável, confortável.

      Era por medo de ter tudo que ela se desajeitava enxergando uma esquiva que talvez fosse nada? Era dela o fundamento da saudade? De nada? Sem fundo? Absurda?

      E se ele fosse só dela, já?

      E se não fosse?

      II. Ele

      Desligou o celular, olhou para o chão, tirou os tênis um de cada vez.

      Pensou no que ia fazer amanhã, que ia ser um dia cheio, corrido. À noite iria assistir a um show junto com ela. Se caísse bem o combinado.

      Um amigo telefonou e eles conversaram rindo muito, fazia tempo que não se viam, afinal ele mal retornara de sua viagem; fez um sanduíche quase no fim da conversa e antes de comer pensou que ainda nem tinha se acostumado ao fuso-horário, por isso talvez precisasse dormir um pouco menos hoje. Mas também nada demais, abocanhou o sanduíche e achou bom.

Quanto mais purpurina, melhor!

quarta-feira, 18 de março de 2009

 

               Eu sei, eu sei: já passou o carnaval. Até já escrevi um bocado a respeito dele aqui!.. Mas é que a gandaia boa deixa saudade, e aquele punhado de músicas coloridas merece e deve ser ouvida mais constantemente. Por isso é que, embora eu absolutamente não me considere compositora, dentre as minhas poucas composições a maior parte é  de frevos e marchinhas (!). Deve ser minha paixão por Recife…

                Este frevinho (que vocês vão ler como poema, não sei se o som virá ao mundo, nem quando) eu escrevi muito alegremente a caminho de um reencontro, justamente com um grande amor de carnaval (desses que pulam e pulam pós-quarta-feira e até-até os carnavais seguintes). Apesar do pingado de malícia, a melodia é das alegres e purinhas.., ah, quando houver oportunidade, eu gravo! Pra ver vocês dançando, que seria uma delícia!

 

                Hoje vou ver Marcelo

 

                Pode parar o bloco

                Pode parar o beijo

                Pode parar o verde o vermelho o azul e o amarelo

 

                Pode parar esse sol que derrete no chão

                Sem perdão

                Hoje não!

                Que hoje eu vou ver Marcelo

 

                Hoje eu vou ver Marcelo

                Ai!, que eu gelo

                Ai!, que eu sinto um frio na barriga em pleno verão

 

                Hoje é o dia que eu mais quero

                Me esparramo

                Me esfarelo

                Que é até judiação!

 

                Ai que esse dia judia de tão belo

                É de perder o chinelo

                De tanto pular no refrão!

 

                Hoje eu vou ver Marcelo

                Corpo a corpo

                O duelo

Essa noite não tem salvação

 

                Hoje eu vou ver Marcelo

                Corpo a corpo

                Feito um elo

                Essa noite é sem moderação

Preparar, apontar… Fogo!

segunda-feira, 16 de março de 2009

                Comemorando o fim das gravações do meu segundo cd, deixo-os aqui com uma entrevista de brincadeira feita por meu irmão no carro a caminho do estúdio! E fragmentos das gravações dele, que acompanhou alguns dias importantes da gente por lá.

                Daqui a pouco vocês terão meu segundo filho em mãos (aos ouvidos!), e só tenho a dizer que, gostando ou não, muito ou pouco, vocês saberão logo que é um disco gravado com febre. Como a música tem que ser! Houve músicas tristes que gravei em dias felizes e tive que ir buscando a mágoa e ir ficando mal e mal; houve músicas felizes (a última gravada, por exemplo) em que era preciso rir cantando, e o próprio som foi me fazendo bem, fui ficando melhor, curando a dor, e ao terminar, sarei!

                Que o meu som chegue aí com esse dom transformador, e que chegue quente, quente, quente, pelando - assim é que é bom. Só mais um bocadinho de aguardo, meus queridos!!! E muito obrigada. Acesse o blog do Lucas Caram! http://blogode.wordpress.com

                “Enquanto isso, o tempo, como sempre, fingia que passava!” J G Rosa.

 

Sutileza

quinta-feira, 12 de março de 2009

     Um carinho aliviado. Que tem sua grandeza, mas se sente tão reconfortado que não vê por que agir. E não age; descansa.

     Diego aqui adiante - e o nosso des-rancor. Alegrias, por termos bem-resolvido tudo o de maior e mais difícil que já nos aconteceu (quando tentamos e desistimos de construir grandeza com o nosso amor). Quem sabe talvez porque tenhamos deixado de nos amar daquela forma. E agora a limpeza de se curar a ferida, e eu aqui, na casa dele, observando tudo com o olhar inédito, que expulsou o antigo meu.

     Vim só pra fazer sossego em música. Que era o que de melhor a gente fazia quando juntos. Quantas vezes eu ansiei por esses olhares furtivos me vendo cantar, me vendo falar, admirando qualquer coisa além da canção e das palavras minhas. Como sofri noutros tempos a falta dessa naturalidade, dessa fluência na nossa relação, de falar as coisas à toa e ser ouvida com o mesmo desprendimento e proximidade. É ele: é este o homem que eu quis com fervor e que teve de se soltar de mim; mas nem nas saudades mais enfeitadas eu me lembrava de um olhar tão carinhoso na minha direção; um olhar desses é quase um abraço. Meu corpo todo sorri. Sonhei com esses olhos.

     Um amor solto, desprendido. Que inexiste? Que perdeu-se da fúria. É isso. A explosão do alívio que jorra com o mesmo descaro com que se criou o horror. A nenhuma mágoa, coisa pura como se nada antes tivesse havido. O verdadeiro desiludir.

      Piso descalça o chão dessa casa que se desacostumou de mim; não entendo a sensação que as paredes me dão; procuro o peso que elas tinham antes – por que é que é que eu sofria tanto? As figuras na parede me oprimiam, e eu odiava-as, agora nos olhamos estranhadas. Não as reconheço. Nem elas a mim. Esta é a marca do alívio.

      Como é possível ser necessário ter-me doído tanto pra perceber e adquirir a consciência de que nada daquilo era necessário? Aquele ficar-se doendo, sem propósito, em silêncio, num auto-veneno, só por… por quê? Pelo prazer da dor.? Agora é que tudo recolocou-se!: esta é a soltura – soltura alegre-besta, de quem vai dormir agorinha como quem flutua e não como quem mergulha para afundar-se e esconder-se em algo, e sumir. E o fim da minha sensação de vazio – porque a realidade é o cheio: o alívio pulsando derramando pra fora o que ainda havia de confusão…

      Não minto: há qualquer coisa de totalmente artificial na presença desse homem ao meu lado sem nenhum esboço de carinho físico. Falta-me aquela mão deslizando à cintura; sobram-me carinhos contidos. Mas – como explica-lo? – admito essa estranheza e até fico feliz, até acho graça nela, em nome de alguma coisa muito mais valiosa, mais bonita e mais delicada que eu não entendo embora sinta com tanta clareza. Não sofro essa falta de contato físico: apenas relembro-o, sorrindo pra dentro. Que gosto teria essa boca? – me pego pensando, e enrubesço ao lembrar que já o conheço, bem demais; a pergunta me veio sapecada não sei de onde. Guardo-a, esqueço- a.

      E agora sei: nunca antes nós dois fomos tão felizes juntos – só agora, só agora temos tudo o que nos faltava naqueles tempos. Paz carinhosa. Paixão mansa. Sufoco nenhum. Soa um acorde no violão, me chamando. Acordo minha voz saudosa de cantar para esses ouvidos.

      Diego olha pra mim de repente e se mantém assim o quanto possível; sorrimos juntos a timidez de não conseguirmos nos olhar tempo demais. E fica evidente que nada mais que aconteça entre nós poderá superar a beleza e a raridade desse momento preciso.

 

 

 

 

Feriado Pessoal

sábado, 7 de março de 2009

 

(Seguindo a onda do último post, ao melhor estilo poema-de-pé-na-bunda-que-virou-música!

Vocês ouvirão noutra oportunidade!)

 

 

Hoje enfim eu dei o fora

Bem na hora

Arranquei a amarra

Vou cair na farra

Tchau

 

Hoje não tem fria

Não tem freio

Não tem fila

Não tem fardo

É feriado pessoal

 

Hoje eu dei no pé

Te dei um pé

Só peço um doce vento

E, pra você, um pouco mais de sal

 

Hoje o sol declara o fim da guerra

E não vou dar o troco

Tu foi muito pouco

Pra eu ficar fazendo carnaval

 

Hoje o mundo gira

Eu viro a mesa

O tempo passa

Ficar contigo deu despesa

Te deixar vai ser de graça

 

Hoje o mundo gira

(Que beleza!

A gente passa!)
Ficar contigo deu despesa

E, além de chato, já perdeu a graça.

Eis!

terça-feira, 3 de março de 2009

                Poemeto febril que escrevi em 2008 e meu amigo e compositor Vinicius Calderoni musicou (e complementou), inaugurando uma parceria que muito me enche de orgulho!

                Quem foi ao show dele em janeiro no Centro Cultural São Paulo, já ouviu, e se não ouviu, está aqui o vídeo (lá embaixo), embora a qualidade não ajude! Mas é só pra pôr um temperinho no poema malvado…

(Quando mostrei pro Vini, ele logo achou a maior graça, e eu expliquei: “é um poema de xingamentos!, nem no blog ainda tive coragem de pôr…”) Mas nossa melodia e cantoria me enchem de coragem, eis aqui minha contra-homenagem! Aos maus amores, um brinde, outros melhores virão! E vêm.

 

 

EX (Vinicius Calderoni/ Bruna Caram)

 

Frouxo

Fraco

Frio

Seco

 

Cego

Este traste

Chiste

 

Falso

Fácil

Chato

Chocho

 

Trouxa,

Este passo em falso

 

Triste

Mocho

Cabisbaixo

Valsa que minguou

 

Este blefe do destino…

Brocha

Bicha

Burro

Chucro

 

Este

Astro que se apaga no escuro

Este João-sem-braço

Este

Foto antiga, porto inseguro

Numa só palavra:

Ex.