“Eles se amaram de qualquer maneira/ Eles se amam e é pra vida inteira”… (Letra de Caetano Veloso sobre a música de Milton Nascimento, Paula e Bebeto, feita de presente de casamento)

Sábado passado fiz um tipo de trabalho que há anos não fazia (aliás, que desde a gravação do cd, não fiz nenhuma vez): fui cantar durante a cerimônia de um casamento.
A ocasião também tinha lá seu quê de especial a mais: a noiva era uma amiga, ou antes, a prima da minha prima. (A gente vê que está ficando adulta também quando nossas amigas vão começando a casar; socorro!) Eu já tenho uma sensibilidade anormal para casamentos, o que fez com que, ao assumir o papel de cantora-de-cerimônia, meu coração exclamasse Não agüento não!. Mas obriguei-o a agüentar.
Sábado, 20h, Avaré, lá estava eu e meu lado romântico-careta que, só de ver o altar, tremelica. Ah, e meu lado doente, porque eu estava doente de dar dó, embora nessas horas Deus sempre seja muito meu chapa e faça magicamente qualquer doença sumir. A entrada da noiva era enfeitada por Dia Branco, tão suave, “se você vier pro que der e vier comigo, eu te prometo o sol…” Para minha sorte, os convidados se levantaram e eu de onde estava não enxerguei entrada de noiva nenhuma. O canto ficou limpo e o choro ficou para depois dele!
Após a saída dos noivos (pintada pela música Sorte, do Caetano), encontrei minha prima, prima da noiva, sorrindo brilhante:
- Muito lindo, né? Dá até vontade de casar!
- Ô!… Tô com vontade desde à tarde, quando passamos o som!
Rimos, e então ela atentou para o porém:
- Mas isso de igreja e padre, já vi que não é pra mim…
- Nossa, também pensei nisso algumas horas. Rola uma pregação, né?
- E o juramento então!!!
- Ah! O juramento é minha hora favorita!
Ela riu zombeteira:
- Pô! Que hora de medo! “Bruna, você promete ser fiel todos os dias pelo resto da sua vida?”
- Mas…
- O que você responde? ”Pô, padre! Não é bem assim! Todos os dias pro resto da vida eu acho que não prometo não…”
E rimos alto, como assim não promete não?
- Mas e aí, no seu casamento vocês vão falar o quê?
- Ah, tem que falar só sobre o amor, é a celebração do amor, nada de jurar que vai criar seus filhos dentro da religião e etc…
- Uma amiga minha que casou também não teve padre nem nada disso, e, em vez do juramento, cada um disse para o outro como o conheceu e por que quer ficar por perto para o resto da vida… Lindo!
- Então! A gente devia dizer: prometo que te amo tanto hoje que acredito que vou te amar todos os dias pelo resto da minha vida!..
- Acho lindo! O importante é a idéia do amor infinito! E de celebrar.
Ok, ok, os tempos mudaram mas o amor sempre se vira! - e que continue ingenuamente, quase impossivelmente infinito!