Arquivos de outubro de 2008

Bastidores

terça-feira, 28 de outubro de 2008

             Queridos, demorei pra atualizar pelo mesmo motivo de todas as vezes, adivinhem… Eu sou uma tonta no computador!!! Não nasci pra isso! Nem sei por que insisto! Ou melhor, sei, quero que vocês continuem vindo aqui!..

            Bom, passei este último sábado e sol… No estúdio! Literalmente: do meio-dia às 21h!, esperando para gravar num instantinho esta bela canção, chamada Mesmo Quando a Boca Cala. Eis o compositor: o talentosíssimo e queridíssimo Vinicius Calderoni. Fizemos esta gravação especialmente para uma trilha sonora… Vocês saberão! Com vocês, por hora, nós no estúdio!

 


Vinicius Calderoni e Bruna Caram no estúdio Oca
Enviado por arquivobrunacaram

Sobre o amor infinito!..

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

 

“Eles se amaram de qualquer maneira/ Eles se amam e é pra vida inteira”… (Letra de Caetano Veloso sobre a música de Milton Nascimento, Paula e Bebeto, feita de presente de casamento)

            Sábado passado fiz um tipo de trabalho que há anos não fazia (aliás, que desde a gravação do cd, não fiz nenhuma vez): fui cantar durante a cerimônia de um casamento.
            A ocasião também tinha lá seu quê de especial a mais: a noiva era uma amiga, ou antes, a prima da minha prima. (A gente vê que está ficando adulta também quando nossas amigas vão começando a casar; socorro!) Eu já tenho uma sensibilidade anormal para casamentos, o que fez com que, ao assumir o papel de cantora-de-cerimônia, meu coração exclamasse Não agüento não!. Mas obriguei-o a agüentar.                       
            Sábado, 20h, Avaré, lá estava eu e meu lado romântico-careta que, só de ver o altar, tremelica. Ah, e meu lado doente, porque eu estava doente de dar dó, embora nessas horas Deus sempre seja muito meu chapa e faça magicamente qualquer doença sumir. A entrada da noiva era enfeitada por Dia Branco, tão suave, “se você vier pro que der e vier comigo, eu te prometo o sol…” Para minha sorte, os convidados se levantaram e eu de onde estava não enxerguei entrada de noiva nenhuma. O canto ficou limpo e o choro ficou para depois dele!

                Após a saída dos noivos (pintada pela música Sorte, do Caetano), encontrei minha prima, prima da noiva, sorrindo brilhante:
             - Muito lindo, né? Dá até vontade de casar!
            - Ô!… Tô com vontade desde à tarde, quando passamos o som!

            Rimos, e então ela atentou para o porém:

            - Mas isso de igreja e padre, já vi que não é pra mim…

            - Nossa, também pensei nisso algumas horas. Rola uma pregação, né?

            - E o juramento então!!!

            - Ah! O juramento é minha hora favorita!

            Ela riu zombeteira:

            - Pô! Que hora de medo! “Bruna, você promete ser fiel todos os dias pelo resto da sua vida?”

            - Mas…

            - O que você responde? ”Pô, padre! Não é bem assim! Todos os dias pro resto da vida eu acho que não prometo não…”

            E rimos alto, como assim não promete não?

            - Mas e aí, no seu casamento vocês vão falar o quê?

            - Ah, tem que falar só sobre o amor, é a celebração do amor, nada de jurar que vai criar seus filhos dentro da religião e etc…

            - Uma amiga minha que casou também não teve padre nem nada disso, e, em vez do juramento, cada um disse para o outro como o conheceu e por que quer ficar por perto para o resto da vida… Lindo!

            - Então! A gente devia dizer: prometo que te amo tanto hoje que acredito que vou te amar todos os dias pelo resto da minha vida!..

             - Acho lindo! O importante é a idéia do amor infinito! E de celebrar.

             Ok, ok, os tempos mudaram mas o amor sempre se vira! - e que continue ingenuamente, quase impossivelmente infinito!

 

 

madruga

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

                    

                    

                     Mais um dos resgatados poemas de fundo-de-gaveta, desses que eu pensaria duas vezes antes de pôr aqui. Tem muitas crônicas e textos pesados meus, e como hoje estou muito leve, tive que procurar algo mais suave e engraçadinho. Específica poesia de madrugada, dessas que a gente começa a escrever na cabeça dirigindo pra casa… Em homenagem a todos os nossos ex-namorados e as chatas das ex-namoradas deles! Ha!

                     De algum mês de 2006.

 

 

 

 

 

NA PISTA (ou Trégua)

 

Ela dança e pula e canta na minha frente.

Aparentemente

Porque fiquei com o ex dela.

 

Nem subo no salto.

- Ela também não desce! -

Meu presente

É negar a atenção que ela faz que merece.

Nem bela ela é…

 

E mal sabe

Do quanto ele jaz

No meu coração a jato:

Sem choro

nem vela.

 

A vingança é um prato

Que se come

Quente

Quente

Quente

Pelando.

A demente que dança

não sabe,

Mas desfiz o laço

Sim, larguei do braço

Do moço sem graça

que ela quer só dela.

 

E ele? Ora, vá!,

Quis se desculpar

Fez seu ronronar

Pra me desarmar

E esperou sentado!

(Pra não dar canseira!)

Quer colher de chá?

Tó: chá de cadeira!

E tó: perdão negado!

Isto se escreveu.

Foi - bico fechado! -

Não comeu mosquito

E nem me comeu!

(Já nem dou mais trela…)

 

E a moça adiante,

Coitada!,

é gritante:

Q u a l  é  a  d i s p u t a ?

Dessa fruta

Não vou mais provar

(Só vejo bagaço!…)

A labuta é sem paga

Sem vinga

E sem troco;

É tão pouco

Que nem vale o baile

da moça que apela:

Dança!!!

Se rebela!!!

Por quem?

 

Meu desdém

É feito

da paz mais singela:

Não ligo pra ele.

E até menos pra ela.

 

 

 

 

 

 

Vermelho-fogo

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Viva a polêmica… e as paixões e os ciúmes! Lenha na quentura!

 

 

 

            AMANTE

               “Ele a desejava! Ela tinha a certeza. Mas, assim, pior – tudo era terrível, irremediável, o que ia separa-los? Oh, um invisível limite, o impossível: maldição imóvel, montanha. Ele obedecia àquilo, a uma sombra inexistente – mais forte que a verdade de seu corpo(…).

                Todos, enquanto vivendo, estão se separando, para muitos lugares diferentes.”

                J G Rosa, Noites do Sertão, O Buriti.

 

                Um nome, o nome, uma palavra única – a que desencadeou todas as crises e o sofrimento antes suposto futuro -, um nome, não mais uma referência vaga, cheia de eufemismos, mas a palavra concreta, que basta para que de repente eu me enxergue como o erro, aquela, A Outra, o engano – eu! Eu que não sou o nome, o nome irredutível, que desaba tudo, ah!, outrora éramos sossego, delícia, segurança, paz, éramos dois fingindo não ser três, mas, puf! Uma palavra com o efeito de uma faísca, e agora, o incêndio, ah!, outrora só a brasa, uma sombra, idéia que sobra, a expressão genérica, suspeita, “minha namorada”, sem rosto, sem nada, e agora o nome, o nome, o nome, o nome que eu sei!, grudando-se à minha consciência, e sim, grudando-se em mim! Outrora, minha ignorância, saudosíssima ignorância, como perde-la? Por onde? Insuportável vem este nome que existe, importuna, ressoa, atormenta, provoca; maldição imóvel, terror. O limite. A Verdadeira não há de ser eu, eis o inconcebível, pregado ao meu peito, sangrando, para sempre a realidade do nome impossível me rodeando, expondo tudo o que havia de sutil na minha dor, expondo tudo que havia de leve nos meus receios, meus ciúmes, quantos ciúmes diferentes berrando, há um nome, a palavra sabida que agora é fincada, o nome imperioso que deslegitima o meu amor, repete, invade o que sinto, o que eu penso, o que eu posso, e martela, martela, martela.

                M a r c e l a .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pitanga em Pé de Amora

terça-feira, 14 de outubro de 2008

 

 

“Passou do ponto

Bebeu, perdeu a hora,

Tá sempre mais perdido que pitanga em pé de amora

 

Foi ao banheiro

Entrou no das ‘senhoras’

Tá sempre mais perdido que pitanga em pé de amora

 

Sempre dá jeito de desentender

Pra complicar a questão

Mas a moçada nem dedica atenção

E já é careca de saber

Que ele é um bisnaga

Que ele sempre dá fora

Que ele é mais perdido que pitanga em pé de amora…”

 

 

 

            Desta despretensiosa composição de Ângelo Ursini, Diego Casas e minha, surgiu o nome de um incrível e raro grupo de compositores daqui de São Paulo, que continua na ativa!: o Pitanga em Pé de Amora. Meus parceiros nessa marchinha de carnaval (só na letra dá pra supor que é uma marchinha, né?) formaram um trio comigo quando eu tinha uns 16 anos, e desta amizade, além de muitas e longas musicadas, surgiram composições e outras novas amizades, que hoje formam esta quase que liga-de-grandes-compositores com simpático nome de marchinha de carnaval.

           São eles: Ângelo Ursini, Diego Casas, Daniel Altman e Gabriel Setúbal. Vim hoje aqui divulgar o trabalho destes amigos, mesmo porque, no cd demo deles, gravado há uns tempos, quem canta é esta que vos fala, com muito prazer. Divirtam-se com a música da Brazuca e para ouvir mais, entrem no MYSPACE deles! Ou ouçam já: 04-chegou (Gabriel Setubal/ Diego Casas)

 

Ressaca Amiga - II

domingo, 12 de outubro de 2008

 

 

 

 

               Queridos moços e moças, primeiro de tudo: meu computador pirou. Tô há duas horas tentando arrumar a fonte das letras e tentando tapeá-lo, mas só apanho! Estou convencida de que ele é mais esperto que eu, mas não vou deixar de escrever mais dias por causa disso!

 

               Bom! Ontem teve um show delicioso no Tom Jazz!.. Muito bom chegar esbaforida de viagem (cheguei às 15h30 no aeroporto de São Paulo, vindo da Bahia) e ver que, apesar de a divulgação não ter sido muito forte, estavam todos lá, platéia cheia, cheia! Se melhorar, vira festa! Obrigada por aparecerem.

             Quem youtubou ontem , deixeu ver?

              (Fui a este último show da Mônica Salmaso – Noites de Gala, Samba na Rua – e gostei do que ela disse ao agradecer o público, aliás ela própria parafraseando alguém que não lembro: “Gente, obrigada por terem vindo, é muito bom quando vocês vêm; quando vocês não vêm não fica bom, eu já experimentei, não é legal!!!”)

               E pós-show, apesar de muito cansaço, parte da turma do arrepio descrita aqui na grande Ressaca Amiga foi fechar a noite com beberiques… Não foi aqueeela coisa pois no bar faltaram instrumentos musicais, mas cerca de uma hora de discussão a respeito da “missão da intérprete” preencheu a noite dos doidos. Aí me lembrei de vir aqui e deixar fotos da noite na casa da Giana (Viscardi) e também umas gravações que fiz sábado passado, noite em que todos (eu, Dani Black,Tati Parra, Chico César) fomos ver o mini-musical em cartaz “Pobre Menina Rica”,apresentado aos sábados pela Giana (entre nowww.gianaviscardi.com.bre apareça) e depois fomos comer uma pizza na casa do Chico e esticamos a noite com muito som…Divirtam-se!

 

 

 

 

 

É preciso ter irmãos!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

            (Ó eu e os meus!)

             Moços, moças, estou indo ver o mar!

                Por isso é possível que eu fique a semana inteira sem voltar aqui…

 

Enquanto isso, só deixo um pensamento que tem me rodeado por acaso… O de que é preciso ter irmãos! Para aprender as coisas. A dividir, a brigar, a fazer as pazes, a brincar, a interagir, a se posicionar, a rir, a maltratar, a apanhar, sim, até para essas coisas!

Minha mãe teve sete irmãos, meu pai teve quatro, e vai que vai, a família ficou assim: tenho vinte e três primos e cresci rodeada a eles, tão próxima que é capaz que tenha aprendido mais a lidar com as pessoas por essa convivência intensa que por causa de qualquer professora da escola…

Afinal, pais e professores são adultos, e são “perfeitos”, enquanto as crianças são iguais, são puras (podem ser maldosas, podem ser caridosas, e o são completamente, sem peso, sem malícia), são incrivelmente leves, enfim… as crianças são mais legais.

E enquanto não tenho meus muitos filhos, ou você não tem os seus, façamos com que toda criança tenha a companhia de muitas outras, sendo ou não irmãs.

E eu que não sou boba estou indo à praia com meu hermanito de três anos, que me ensina também mais do que muita gente…

Amém.

                Ps: Assistam ao documentário Doutores da Alegria.

RESÍDUO

sábado, 4 de outubro de 2008

“E de tudo fica um pouco.

Oh abre os vidros de loção

E abafa

o insuportável mau cheiro da memória”

Drummond, Resíduo

 

              Acaricio meu próprio pescoço num movimento suave; eu me lembro: este corpo era teu - teus lábios eram meus dedos e, ao sentir teu toque quente, eu me desfolharia.

              E receberia com alegria aqueles beijos confessados, que queriam dizer o quanto no fundo me amavas por debaixo da tua frieza incompreensível, naqueles momentos só nossos de perscrutações e espasmos, antes dos quais eu me deitava e te esperava, te esperava como sempre esperei e ainda espero - e era com delicadeza e vagarosidade que vinhas; eu conhecia teu toque de pontas de dedos, a descer e subir pelas minhas costas e ombros; eu aguardava esse singelo toque e suspirava num alívio feliz quando se dava seu início. 

 

                Tu sempre vinhas, mas eu nunca deixava de me afligir por te esperar. Será que já nem mais querias sorrir e ofegar por debaixo de mim, que não te fazia falta a repetição desse ritual de ardências suores em que nos deleitávamos? Mas: tu sempre vinhas. Minha sede, minhas águas. Sim, de repente tu vinhas de novo com o mesmo toque, com os mesmos beijos seguidos no pescoço, com a mesma força ao me puxar pela cintura mais pra perto, mordendo os lábios, sempre mordendo os lábios, e esta era também tua confissão: tu eras meu – porque se me rendia o teu corpo.

                Depois, quando continuássemos os jogos e os gemidos, então eu me saberia feliz e mulher - muito antes do nosso esgotamento, muito antes, e durante muito mais tempo, porque ali, quando tu me mordias, e adivinhavas, lambias e apalpavas e arranhavas sem deixar de sorrir, ah, naquele momento éramos um para o outro, sem que houvesse medidas ou limites capazes de contrariar o fato quente e nítido de que tu me amavas.
                Sinto tanto a tua falta.

Acaricio meu próprio pescoço para fingir que, sozinha, sou capaz de reconstituir as sensações que me davam os longínquos beijos teus. Inútil, desesperada intenção. Imito teu toque porque quero me lembrar dele,e escrevo com minúcia exagerada para que, muito além do tato, eu continue a saber com crueza tudo o que ele me representa e o que o distingue de tantos outros toques – e o que te distingue de tantos outros homens, ainda mais agora, que renunciaste a mim, deixando tão fresca a memória dos teus beijos leves neste corpo inconformado que ainda acredita ter dois donos. Mas, deles, não há resquício.

 

Se não voltares, nunca, ficará simplesmente este meu auto-engano, o eco denso dos teus beijos assoprados, tua lembrança implacável, mas, muito pior, ficará esta mão fingida, insuportável, insistindo em acariciar meu pescoço, já mais forte, mas absurda, pois tudo ao redor me diz: não adianta, e a mão segue, até que, que fique mais e cada vez mais clara a estupidez da sua inutilidade,

e eu tenha que enfim lidar com sua decisiva ausência, que é a ausência disso tudo, desse toque, esse toque distraído¸ beijado, que só poderia ter sido teu.

 

 

 

 

 

Lenha na Quentura Até Ferver Esse Verão Que Mora em Mim

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

            

             (Citação da canção de Dante Ozetti e Luiz Tatit. Procurem saber…)  

 

 

 

              Moços, moças, decidi largar mão da minha auto-censura e às vezes publicar sim alguns textos que estão no fundo escuro do baú por estarem vestidos de pudores. Fora, pudor! Sem-vergonhice, chegue pra cá!!!
              E, como o post “A Volta da Bailarina Sem Ponta. E Ponto” teve lá o seu relativo sucesso, resgatei um poema aqui que é levemente bailarínico (!), bem leve, feito só da minha memória e saudades, e de outras graças, olé!

MASOQUISMO

 

Na pureza dos meus nove anos,

A professora exigia

Postura

E  d i s c i p l i n a

Em cada aula de balé.

Chegava a pisar meus joelhos finos

Forçando abertura

contínua

Das pernas meninas

A tocar o chão.

A musculatura

Sofria

no pino

Por esse combate.

“Que pernas mais duras!”

Gritava, ferina,

A Dona do Espacate.

E a dor, feito sina

Era só um ponto bom.

Para ambas, um bem.

 

Doze anos depois,

eu atino:

Hoje é força maior,

masculina

A exigir abertura

B a i l a r i n a

Das minhas mesmas pernas

(já pouco imaturas

E bem menos finas

De tão menos puras…)

E a dor

desatina no mesmo gostar

Que já tinha

a longínqua tutora:

Se acordo miando

“Que dor nas minhas coxas!”

Ele só ergue a vista,

E ri, masoquista:

“Foi foda, hein, cantora?”

Me beija, e é bom.

Para ambos, um bem.