Ressaca Amiga
segunda-feira, 29 de setembro de 2008Ontem fomos ao show da Ana Cañas: eu, Giana Viscardi e Pedro Altman (amigo e diretor dos nossos shows). Já estava por isso só feliz, porque fazia tempo que não passava um tempo à toa com a Gi, e para minha maior alegria, o meio musical paulistano se mostrou bastante em sintonia: encontramos, ao nos aproximarmos do camarim, Tati Parra, Kavita (Mariana Aydar), Luísa Maita, Dani Gurgel e ainda Vicente Barreto, Rafa Barreto, Dani Black e os músicos da banda da Ana; o que já era bastante qualidade musical por metro quadrado. Resultado: Os talentos ansiosos juntos fervem, e dez horas da noite é cedo demais para ir cada um para sua casa. Domingo, para músico, é sábado, Onde vamos esticar esta madruga?
Acertou em cheio na minha permanente fome o convite da Gi: vamos tomar caldo verde na minha casa? Oba! Um prato cheio! Já vi que o convite foi se espalhando e alguns de nós tocamos para o lar musical de Giana e Michael Ruzitschka, que já nos aguardava com a sopa ao fogo e a companhia de Chico César, que também nos aguardava enquanto comprávamos vinho e flores (um mimo!).
A noite é longa, a vida é curta, domingo é sábado e segunda-feira merece ser cancelada! Esta proposta foi docemente cumprida e saboreada, tal qual o som, que rolava solto, ao violão, ao piano e especialmente na percussão de dedos-batendo-na-mesa-do-jantar e os cânticos que surgiam espontaneamente, mais espontaneamente com as doses de cachaça que eu ia matando com o Chico - doses que viraram preferência geral após as garrafas de vinho terem sido esgotadas.
Foi chegando mais gente, o som cada vez melhor (ou a gente cada vez mais feliz? Ha!) e eu diria que ultimamente foi das noites mais gostosas que passei, pois toda vez que me lembrava de ir embora o pensamento me escapava, tudo estava calorosamente irresistível! (Não sei se foi a sopa quente e apimentada ou o calor humano, mas no apartamento parecia estar ligado um aquecedor).
E me dei conta que este encontro confortável poderia ser visto com muito confete e muita serpentina e podia mesmo ser visto um dia como histórico nessa leva de novos artistas da Brazuca, mas o fato é que… Foi e é tão espontâneo! Pois fiquei bobamente feliz ao me olhar de fora convivendo com artistas tão incríveis, tão sincera e intensamente musicais, e… Tão próximos.
Tanto é que quando o Dani (Black) sentou ao piano e tocou uma composição que eu não conhecia, duas ou três vezes, a pedido do Chico, aquilo me emocionou tanto e me pareceu tão impossível de lindo que, quando ele se levantou e perguntou:
- E aí Bruníssima, gostou?
Eu tive que responder, abrupta:
- Você tá louco!!! Eu não quero mais ser amiga sua!!! De hoje em diante vou ser só fã!!!
E a ressaca monstra que me sacudiu hoje às 8h da manhã (três horas após ter me deitado) já nasceu perdoada por me sacudir a cabeça! Lembrei do canto limpo do Cahê (Cahê Rolfsen), que chegou mais tarde, lembrei da Giana gargalhando de chapéu (por que de chapéu?, não me lembro!), lembrei dos óculos azuis da Tati que eu acho lindos e sempre digo, e quase nada mais lembrei de tanto que o mundo girava; dei um longo gole do Gatorade quente que aguardava ao lado da cama e novamente adormeci.










