Arquivos de agosto de 2008

DA MADRINHA

sábado, 30 de agosto de 2008

 

 

Ele tem “terêis” anos e às vezes ainda me chama de Buruna.

 

 

Ele só sabe contar até catorze.

Para ele, depois do catorze, vem quatro, cinco, e treze e catorze de novo.

 

 

Ele é fã número um do Peter Pan e eu espero que ele não cresça nunca, que me dói.

 

 

Ele já ouviu 23149359 vezes a história da Cinderella. Mas quando eu pulo alguma cena da história por preguiça, ele interrompe: “Não! Você não contou dos ratinhos que fizeram uma surpresa!” E me pega no pulo.

 

 

Ele sabe que eu sou sua madrinha mas, quando digo que ele é meu afilhado, ele me olha em dúvida porque não conhece essa palavra.

 

 

Ele passeia de carro comigo. E da última vez, quando o mandei ir no colo de alguém, ele disse: “Não, com três anos não é pra ir no colo!, só com um e com dois!”

 

 

Ele disse que não, não quer ser meu namorado… mas pode ser o meu par na quadrilha. 

 

 

      Ele gosta de perguntar. Outro dia estávamos cantando: “Vem a foca com a bola no nariz…” e ele:

-  Por que vem a foca com a bola no nariz?

-  Porque… a foca gosta de brincar!

-  Onde?

-  Hã… No circo!

-  Como?

-  Ai meu Deus… De pé!

-  Por quê?

 

.

 

 

 

Ele brinca de alongamento comigo.

E ganha.

 

Ele canta Palavras do Coração inteira desde antes de completar um ano.

 

Quando perguntam que instrumento ele toca, ele pensa e capricha:

“Eu toco piano… guitarra… baixo… bateria… e microfone!”

 

 

No Cirque du Soleil, ele subia de pé no colo e gritava pro trapezista:

- Tá louco, moço???

 

Ele não cansa de querer saber por que eu moro numa casa e ele na outra.

 

Quando não temos mais o que brincar, corremos um atrás do outro em círculos.

 

 

Quando eu pergunto quem é o filhotinho que mora comigo na minha casa, querendo que ele responda o nome do meu cachorro, ele bate tímido no peito e responde: “eu!…”

 

E quando cantamos “borboletinha/ Tá na cozinha/ Fazendo chocolate/ Para a madrinha”, ele me olha de lado, porque eu que sou a madrinha que vai ganhar chocolate.

 

Ele foi a primeira pessoa a me ligar esse ano, às 9h da manhã, no dia meu aniversário.

 

Deve ser por isso! Ou porque quando eu digo: “quem me ama muito nessa sala levanta a mão”, ele levanta as duas. Ou por nada.

Porque ele é esperto e tem os olhos mais bonitos do mundo? Porque ele é meu irmão? Porque ele é pequenininho?

Por tudo isso e por qualquer outra razão, ele sim, disparado, só ele é - o maior amor da minha vida.

 

(Ou o maior par de quadrilha da minha vida)…

 

Clique aqui para assitir!

 

Clique para assistir a uma participação especial dele

 

 

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Ouça um bom conselho que eu lhe dou de graça…

Música para os seus ouvidos! Uma dose por ocasião cura, alivia, alegra, cansa, mas não tem contra-indicação.

Para assim que acordar: Norah Jones

Para a aula de balé: Tchaikovski

Para tomar banho: Roberto Carlos

Para o trânsito: Lokua Kanza

Para ir à aula: Lenine

Para matar a aula: James Brown

Para as saudades: Bethânia

Para uma puta fossa: Nana Caymmi (e pare para respirar, a dose é forte!)

Para à beira da piscina: Jacksons Five

Para receber os amigos: Tim Maia

Para varar a noite: Fella Kuti

Para aporrinhar o vizinho: Mariah Carey

Para rir: Frenéticas

Para dançar junto: Luiz Gonzaga

Para abrir um vinho: Ella Fitzgerald

Para abrir um uísque: Rita Lee

Para beijar: Frank Sinatra

Para viajar: Beatles

Para voltar para casa: Beatles

Para se maquiar: Michael Jackson (para se tatuar também, leve o cd para o tatuador pôr)

Para esquentar dias frios: Astor Piazzolla

Para estar sozinha em casa: Pedro Luís e a Parede

Para não desligar a tv: a abertura dos Simpsons

Para dormir: chuva

Para dormir melhor: outra respiração logo ao lado

 

Centro Cultural São Paulo 16/08/2008

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

 

“Meus companheiros também vão voltar/ E a Deus do céu vamos agradecer”… 

16 de Agosto de 2008, 15h. Chego à aula de canto para preparar a voz para o show no Centro Cultural São Paulo. Lá pela metade da aula, Maria Alvim (a fada-madrinha da voz!), comenta suspirando: Bruna, você viu que o Dorival Caymmi morreu?
Deixo a aula atordoada, no carro me lembro do meu avô, fãzaço de carteirinha do Caymmi - e que morreu há um ano. Fico triste-chorosa, nem sei se é pelo meu avô ou por Caymmi, mas todos hão de convir que Dorival Caymmi, para quem viveu ouvindo e amando, é assim como se fosse um avô. E só aí me dou conta!, hoje é o dia da missa de um ano de morte do meu avô! Telefono para minha mãe: de fato, quase no mesmo dia (meu avô um dia antes, em 2007) foram-se, fã e ídolo. Minha avó vem ao telefone, diz que hoje vai ter musicada da boa no céu. Concordo sorrindo. E quase vejo meu avô levantando as sobrancelhas e mandando uma de suas favoritas, que cantava o tempo todo: “Eu vou pra Maracangalha, eu vou…”
Como era de se esperar, 19h15 chego ao palco e dedico o show à memória do mestre, mal agüentando terminar a música - a Marcha dos Pescadores - porque na segunda parte da letra (que a maioria das pessoas não conhece, mas existe, vá lá) se diz: “A Estrela D’alva me acompanha/ Iluminando o meu caminho/ Eu sei que nunca estou sozinho/ Pois tem alguém que está pensando em mim”.
(Meu avô, quando vivo, vinha aos shows e depois de cada música gritava sozinho da platéia pra mim: “Já ganhou! Já ganhou! Já ganhou!”)
No dia seguinte, lendo o jornal, acho graça ao descobrir que o vovô Caymmi não gostava que outras pessoas cantassem suas músicas, que mudassem as letras e floreassem a melodia. E ao ligar a tv, lá vem mais coincidência, está Dori Caymmi se despedindo do pai, e declama no enterro as palavras de João Valentão:
 ”E assim adormece esse homem/ Que nunca precisa dormir pra sonhar/ Porque não há sonho mais lindo do que sua terra, não há”.
 Esta mesma cantamos para vovô Paulinho, no seu enterro. Se meu avô me visse agora, já conheço a piadinha, diria, “não chora, que é televisão”. Rio como se ele risse também. E na tv, Stella Caymmi, neta, conta um pouco do que seu avô lhe ensinou: a ser leve, a ser sempre boa, justa, e a fazer as coisas com amor. As lágrimas dela são as minhas, que a mesma lição tomei como neta, e desligo a tv pra agüentar a saudade. Dos meus avôs.
Os dois.

Clique para assistir ao vídeo correspondente

 

 

 

 

Video

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Teste de video!