Cantar ser aquilo em que venço
É o que salva. E então me convenço
Da coragem que eu nunca teria.
Que a vingança venha doce e desapercebida
31.
De manhã uma só tara
Uma só cara
A de um dia mais descontraído
Lindo
Perfumado
Sem rancor nem pressa
Só um quê de promessa
Um dia tão feroz e fresco
Que mesmo que se despeça
Vai deixar seu peso de esperança e pluma.
Hoje, dor nenhuma.
De manhã um só amanhã
Feito de espuma.
Sal por dentro
Vento
E um cheiro de estréia:
Um ar saboroso de pureza e idéia:
A certeza de que pode ser
ou tem que ser
Que há de ser melhor, de qualquer jeito.
O dia sabe
E nasce limpo, denso, devagar, perfeito.
Aqui por dentro
Aqui por dentro um adereço cinza
Carnaval inverso
Qualquer-coisa ainda
Sem começo
Sem ver fim
Aqui dentro
Um não que quer que quer que quer ser sim
Um não imenso, um triz, um cisco
Uma insistência de criança.
Minha
santa
Paciência:
Um rabisco de lembrança
na sua letra.
E a desistência.
Aqui por dentro
Meu querer disperso;
Um mínimo, um pequeno mimo:
o seu respirar.
Na minha inspiração
Seu ar
E um sufoco doce
Pra aliviar.
Aqui por dentro
Ainda, linda,
sua figura.
Aqui por dentro,
quase-que-bem-vinda,
sua figura.
Opereta
Cantar cantar cantar
Como se fosse uma opereta feminina
Um festival real de música latina
Ou escarcéu, sarau, o que der na veneta
Cantar
Cantar
E que ninguém se meta!
Contornar e ver abrirem-se as cortinas
Para o vulto ágil, mágico:
a platéia brilhantina
Cantar só
Desafogar a adrenalina
Voar feito borboleta
Vasculhar, verter,
Me devorar
Em cada toxina
E careta.
Remediar o som
Rodopiar
Amar saltando feito bailarina
de gaveta
Êta! Tanta voz me aperta!
Só quem canta sabe na garganta
A lágrima que dá cantar de porta aberta.
#Cantorices tomando baile!
Não pude deixar de vir reforçar este #Cantorices n.16! É um dos meus favoritos! Fiquem de olho que logo esta temporada deliciosa acaba!!! Beijo!
Esfregar o Amor
Esfregar o novo amor
Na cara
Na cara de cada cara
que ainda queria ser
O que este é
Desfilar o amor
Nas fuças dos presentes
Pobres pretendentes
Que vieram a pé
Exibir o amor
Às vistas, às visitas,
Nas vitrines invisíveis
Entre os que eram impossíveis
E tornaram-se incontáveis
Explorar o amor!
Pois só quem sabe o que é dispor aprende o que é expor,
Dizer:
Ah, este aqui já não pode mais ser…
Quem viu, perdeu!
Este
É amor meu.







