Para mim, esta é uma das mais bonitas canções da nossa música! É um prazer cantar! E sempre quis gravar algo com “Singin’ in the Rain”… Ah, que delícia! Que maravilha!
“E a gente no meio da rua do mundo, no meio da chuva…”
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Para mim, esta é uma das mais bonitas canções da nossa música! É um prazer cantar! E sempre quis gravar algo com “Singin’ in the Rain”… Ah, que delícia! Que maravilha!
“E a gente no meio da rua do mundo, no meio da chuva…”
Trago suas notícias velhas como tontas notas de uma caixinha de música
Ou moedas antigas de países estranhos.
Trago nossos sonhos vagos e assopro o vapor das saudades estúpidas.
Tantas saudades e dúvidas
Trago sua vida se despedaçando no topo das minhas vontades,
Das prioridades
Trago a tristeza e na volta suspiro o terror de viver sem bandeira.
Solteira
Trago ar nenhum pra poder povoar
Respirar
Voar.
Me apago
E um vazio gigante quer me espremer a última gota de alegria.
Tento me distrair, ou distrai-lo.
Me trago vazia.
Mas viva.
Nasci sonhando ser trilha sonora
Gritei que ia abrir todas as portas
Aflita e afinada vim ao mundo
Querendo abrir a boca e engolir tudo
Amar a melodia é de família
Filha-da-música, dispus do meu brinquedo
Cresci buscando as notas que escapavam
Pra misturar no canto o meu segredo
Vivi e sigo, devorando cada nova nota
Ouço reproduzir a vida inteira na vitrola
Só hoje eu vejo que a canção é um mapa
A cada som conduz, e a cada sílaba consola
Cantar é bom, faz bem e não é nunca desperdício
Eu berro, encaro o medo
e ninguém tem nada com isso
Eu choro, e na garganta sinto florir meu ofício
Cresci veloz
E a voz
Cresceu comigo.
Cantar ser aquilo em que venço
É o que salva. E então me convenço
Da coragem que eu nunca teria.
De manhã uma só tara
Uma só cara
A de um dia mais descontraído
Lindo
Perfumado
Sem rancor nem pressa
Só um quê de promessa
Um dia tão feroz e fresco
Que mesmo que se despeça
Vai deixar seu peso de esperança e pluma.
Hoje, dor nenhuma.
De manhã um só amanhã
Feito de espuma.
Sal por dentro
Vento
E um cheiro de estréia:
Um ar saboroso de pureza e idéia:
A certeza de que pode ser
ou tem que ser
Que há de ser melhor, de qualquer jeito.
O dia sabe
E nasce limpo, denso, devagar, perfeito.
Aqui por dentro um adereço cinza
Carnaval inverso
Qualquer-coisa ainda
Sem começo
Sem ver fim
Aqui dentro
Um não que quer que quer que quer ser sim
Um não imenso, um triz, um cisco
Uma insistência de criança.
Minha
santa
Paciência:
Um rabisco de lembrança
na sua letra.
E a desistência.
Aqui por dentro
Meu querer disperso;
Um mínimo, um pequeno mimo:
o seu respirar.
Na minha inspiração
Seu ar
E um sufoco doce
Pra aliviar.
Aqui por dentro
Ainda, linda,
sua figura.
Aqui por dentro,
quase-que-bem-vinda,
sua figura.