8 de mar - seg

Adolescência (2)

Música que eu, meu primo (Paulo Novaes) e meu irmão (Lucas Caram) fizemos de presente para minha mana Luíza aos seus recém completados 15 anos! Começada e terminada dois dias antes da festa, filmada um dia antes… Tudo pra passar na hora, e (ufa!) deu tempo!

Enfim, retrato adolescente - retrato da homenageada. Pra vocês ouvirem, via vídeo caseiro!

Até Agora (Lucas Caram/ Paulo Novaes/ Bruna Caram)


Até agora

Ela nem sabe o que é demora

Pra ela toda a hora é hora

E aqui já é lugar


Mas não demora

Ela vai vir mudar toda história

Cantar e devolver a vitória

Perder e acertar


Pra sentir melhor tudo o que der

E pra rir do que quiser

Puder


Sorte de quem estiver pra acompanhar a dança

Sorte dela que anda além de onde a vista alcança


Sorte que ‘inda tem a noite toda pra essa dança

E azar de quem ela fizer se confundir

Pra se distrair

E se divertir/ E evoluir

2 de mar - ter

Elogio à Indesejada:

A solidão desejada.

A requerida.

Esta é bem-vinda

Por um fio ela é trazida

E, num triz, já se desfaz.

Esta, espia por detrás,

Não mais –

Se dá por convencida.

É a benvinda amiga minha:

Solidãozinha de veludo!

O seu conteúdo

É leve

É lento

É lindo…

Ela serve de pimenta!

Orienta!

É adubo!

Deixa um fundo, um mundo, um vulto

Da escurecida essência

De amor

E independência.

 

Solidão não é escudo!

Você é que pensa.

24 de fev - qua

Fevereiro

Nada como tirar o dia                                                                                                                                   Pela liberdade                                                                                                                                                 De ficar com meus irmãos!                                                                                                                       Como hoje, a tarde inteira!                                                                                                                       Brincadeira que não cansa:                                                                                                                             Já éramos quatro crianças                                                                                                                              E, quem diria!, lá vem novidade:                                                                                                                        Há pouquíssimos três dias                                                                                                                                Uma nova pequenina                                                                                                                                     Veio ser a integrante                                                                                                                                      Mais recente da família!!!                                                                                                                                    Apresento-lhes a tempo                                                                                                                           Nossa quinta estrelinha:                                                                                                                           Venha, veja,                                                                                                                                                        Seja por demais bem-vinda,                                                                                                                              Catarina!

18 de fev - qui

O show tem que continuar!

                Agora que o carnaval acabou, começa 2010 no Brasil! Perdoem-me a demora, estive carnavalizando e foi difícil colocar tudo em dia na volta, tamanho o sono e a dor de cabeça! Ui! Contudo, saber que vocês estão na mesma ajuda e muito!

                Enquanto preparo as próximas novidades e shows, atendendo a pedidos deixo bonitos fragmentos do show no Sesc Consolação que fizemos em janeiro deste ano, agradecendo mil a todos os que postaram vídeos no Youtube! A foto aí em cima é do Rafael Lima.

                Ah, quem perdeu, assista ao programa do Jairo na TV Cultura, do qual participei e foi uma delííícia! Ó: Clique para abrir

 

6 de fev - sáb

Tradição

“Eu quero aproximar o meu cantar vagabundo

Daqueles que velam pela alegria do mundo…”

Caetano Veloso

Carnaval está na boca do gol, e eu comemorando já!!!

Como manda o figurino, caí no bloco do Ó do Borogodó, bebi, cantei, pulei, suei, tomei chuva na cuca, me fantasiei, cansei, comi, bobeei - agora vou desmaiar de mala aberta e tudo! Isso que o vôo em que parto amanhã pra minha segunda terra sai às 9h da manhã!

Ah, e minha segunda terra é o Recife, com seu calor escaldante, suas cores e sua música! - pela qual eu me esfarelo! (Quando comemoramos 100 anos de frevo o slogan era: É de perder o chinelo!) A paixão que sinto ao cair no frevo e ao seguir o bloco morro-acima e morro-abaixo só pode se comparar ao prazer que sinto fazendo música. Que orgulho estar no meio daquela confusão!!! Que orgulho por ser brasileira, e cantar, e dançar, e rodopiar no meio da multidão se sentindo tão à vontade!!!

Vou para o Recife e quando voltar, eu conto!!! A saudade já me puxa pelo braço. Uma mala de roupas, outra de fantasias! Sorriso na cara e uma medida de ânimo igual à medida do conhecimento de que ele vai virar cansaço. E com o maior prazer!!! Amo fevereiro, amo o carnaval e amo essa tradição (uma das poucas) que temos por aqui! Tradição é pra ser honrada. Bom desfile para os que vão pra avenida, que esse ano não vou! Mas: vou na Noite dos Tambores Silenciosos. Divirtam-se ao redor da Brazuca e do mundo, vocês merecem!!! Libertem-se! Feliz carnaval!!!

27 de jan - qua

As Cantatrizes

Quando eu tinha uns 15 anos, li Furacão Elis. Engraçado: eu não conhecia a música desta cantora-mãe brasileira – me deu na telha, li a biografia. E conhecer, de um só golpe, vida e obra de Elis Regina… Isso teve um resultado tão incrível e intenso na minha formação de cantora que nunca parei de me (re)formar.

Foi por causa de Elis, sua versatilidade, sua intenção, sua articulação, sua força, sua intensidade, que acendeu-se uma luz na minha alma e no meu gogó: uma cantora, pra ser de verdade, tinha que atuar. Eu tinha que atuar.

Esta descoberta enorme guiou meus gostos na adolescência – e amei menos vozes perfeitinhas e mais vozes roucas e interpretações poderosas. Mais Maria Bethânia, menos Gal, mais Marisa Monte lá no primeiro disco - com seus grunhidos, falas e miados, - e mais ainda Cássia Eller. Para além das linhas brazucas, Billie Holiday, Ella, Edith Piaf (que me fazia chorar sem entender uma palavra), Judy Garland (Cantatrizíssima), Liza Minelli (filha de peixa, peixona é), e ainda, Amy Winehouse, Norah Jones (tímida-charmosa), Camille (que tem voz cristalina – mas berra).

E então, com tantas influências me inspirando cores e texturas, pouco a pouco eu soube: pra atuar e cantar, eu precisava de uma direção. Meu primeiro diretor foi o Pedro Altman: o primeiro roteiro que escrevemos gastou apenas vinte minutos do nosso tempo, e o show melhorou pra sempre.

O que faz diferença é indiscutível. Não tinha jeito! Quando saiu Feriado Pessoal, meu desejo de atuar andou no pino. Com o CD em mãos, pensei: Quem vou chamar pra mandar em mim desta vez???

Então me lembrei de uma certa figura, interessantíssima, que conheci após fazer um show piano-e-voz. Uma professora e diretora de teatro, que me assistiu e disse coisas impressionantes (e comoventes) sobre minha atuação. Impressionou-se e me impressionou. Cris Ferri. Não tinha mais falado com ela. Mas arrumei o número, deixei recado:

- Cris, aqui é Bruna Caram e estou ligando porque penso em te chamar pra dirigir meu novo show!

E, surpresa!!! Esta Cris havia assistido, quando moça, à direção de nada mais nada menos que: o Falso Brilhante!!! O mais importante espetáculo da carreira de Elis Regina!!! Ela tinha tido a oportunidade de ver e apanhar cada grão da direção da Miriam Muniz, a superdiretora – e, nada mais nada menos que… sua prima. De quem ela herdara a escola de teatro.

Esta era a maravilhosa maluca que logo topava me dirigir - e era ela na sala da minha casa, animadíssima, puxando os cabelos e gritando:

- Nós temos que começar ontem!!!!! De hoje até o dia do show, TODOS os dias nós vamos trabalhar o Feriado Pessoal!!!!!

Foram os três árduos meses que pedi a Deus. Minha sinhazinha cantora agradecia-engrandecia.

Fiz interpretação, teatro, dança, canto, ensaio, rolei no chão, chorei, cantei três horas seguidas a mesma música, pedi água com açúcar, gritei, criei, fiz roteiro, figurino, cenário,  tudo o que tive direito de tentar para encontrar aquela cantatriz que queria rodar a baiana e devorar o ao-redor.

E reformulei o que é cantar: cantar é atuar é dançar  é enfeitar é sujar e é ser. O show é um filme pra gente assistir.

E a cada novo Feriado que apresento, e a cada lasca de experiência que ganho, mais ainda me alegro. Pela honra! Pelo alívio! Pelo prazer! De ser aprendiz – de cantatriz - e mais ainda, de cantartista.


20 de jan - qua

A mãe ausente

A mãe ausente vê o filho pouco

Ouve o filho pouco

Beija o filho pouco

Nina o filho pouco

Banha o filho às vezes

E troca a fralda quando dá.

 

E entretanto,

A mãe ausente,

Recém-avisada de que passará dez dias sem ver o filho

(Idicações médicas sérias!),

Sem poder ouvi-lo

Sem poder beijá-lo

Sem poder niná-lo

Sem poder banhá-lo

E sem poder trocá-lo tocá-lo pegá-lo cheirá-lo agarrá-lo abraçá-lo mimá-lo

De repentemente

Senta

E chora

Na mesa fria do restaurante

Tão alto

Tão triste

Tão absolutamente triste

Como só choraria a babá.

11 de jan - seg

adolescência

ela anda com um semblante centenário – só que é só no peso, sem sabedoria.

ela é carne e unha com uma tristeza diferente, adulta – monstruosa com ela. essa é a água que alimenta pelo avesso sua verdade de menina, sua idéia de mulher. essa é a mágoa com a qual ela faz lágrimas pra usar quando quiser.

…afinal, o que ela quiser lhe é dado de bandeja: com especiaria e pompa, com bebida e sobremesa. e o que ela não pode, veja: ela se sacode e arruma. dá-se um jeito. assim, logo a gente enxerga: o que está além, o que ela não pode, está em falta bruta. basta um peteleco, basta a moça ter um treco e pronto - agora pode.

e no entanto, contrariando toda previsão mais rasa que se faça, ela é infeliz. ainda. tempo é curto, tempo é mixaria… a alegria, nele, poucas vezes cabe.  poder, ela pode tudo, mas não recomenda. não agüenta na palma das mãos o peso que carrega às costas. custa muito, é cara sua incompreensão, das grossas. que é cinza. é da idade. a dor, não! – a dor, já disse: é mais velha.

esperar não é com ela! só quer ter, quer o maior. conseqüência, então – pior! ela ama o resultado – e o quer depressa. ela não segue, começa. ela é pressa e o resto não interessa.

Um instante agora pra que se esclareça: sua personalidade existe, sim! E é forte.

- frágil é sua auto-estima, flor de assoprar e sumir. - a silhueta, bem, digamos que a silhueta ela não ama, mas reclama pouco, e vai remediar para não ter que prevenir…

ela crê que nos engana.

Quanta luz ela traz e não vê, quão bonita ela é mas não faz, quanta cor ela tem mas não traz! Porque ela é: muito mais do que estamos vendo. o desejo a embaça, eis sua ameaça: ela come poeira da estrada corrida vencida perdida: a dela contra si mesma.

tocou fogo já em tantas fraquezas que causa estranheza esse temor de agora. ah, quem conhece, sabe: ela é fogo!!! é de pureza e fogo esse seu erro bobo de ir queimando etapas. ela queimou-as todas, de pouco em pouco – e enfim, ao notar que havia sido capaz, ficou assim. cada vez mais orgulhosa do salto, e cada vez maior dor a tomando de assalto! - uma falta, uma falta, uma falta ela sente, de um algo.

:é o que a alma transparece, é tudo que a gente sabe. E a alma é o quê? Só sei que a dela é magrela, é nervosa, e é bela - é flor de ninguém. aliás, é até alma-de-fome - que quanto mais come, mais fome ‘inda tem.

4 de jan - seg

Voltando de viagem!

(Escrito na véspera do ano novo, sentada no deck da Ilha do Cardoso, numa ressaca dessas de abraçar o mar)

 

É 30 de dezembro de dois mil e nove

E o sono colore essa tarde.

O sono arde

De dentro dos olhos cuspindo pra fora.

É o sono insistente da ilha sem hora.

 

Como a picada irritante sobre o repelente;

Como  o inseto resistente;

Como o resto de areia na nuca

(Você toma banho, mas não sai nunca);

Como o rádio da Teca na casa vizinha:

ela liga de dia e ele canta TÃO alto!

É como chegar

à beirada do deck

e não dar nem um salto.

 

O sono se arde

De dentro pra fora

Cuspindo no prato

Em que o obrigo a comer.

 

Ê sono safado.

23 de dez - qua

Mamãe Noel

               Enfim estamos na época que mais adoro! E pela qual espero o ano todo desde criança! Já se passaram alguns amigos secretos, inimigos secretos, festa de natal da família Caram, musicada com vovô Jamil, birinaites na cabeça, discursos, presentes e declarações de amor. E o melhor: nem acabou! Viva dezembro, e esse ano que foi muito, muito especial pra mim. É feriado, pessoal!